Porque somos assim?

Posted on 27/06/2011

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Porque temos mania de ordem? Porque arrumamos a cama, a casa, nosso armários. Porque temos uma agenda de endereços para arrumar os nome e porque compramos uma agenda de compromissos para organizar os nossos compromissos Porque fazemos uma lista de compras? E porque consultamos o nosso extrato? Porque planejamos o nosso dia a dia e porque nos irritamos quando algo sai fora do que tínhamos planejado?

Porque planejamos a nossa vida?

Porque temos que nos lembrar, nos disciplinar, nos organizar sobre coisas que deviam ser naturais se necessárias fossem.

Não esquecemos de beber água, nem de comer e nem de dormir. Não esquecemos de sorrir e nem de chorar. Não esquecemos de nos apaixonar e de odiar. Mesmo que às vezes estes sentimentos estejam adormecidos bastam ser incentivados às vezes muito sutilmente para o exercermos com absoluta simplicidade.

E porque não nos esquecemos disto tudo? Porque são códigos impresso no nossa ADN. Fazem parte da nossa estrutura.Esses sentimentos, estas pequenas rotinas, são a nossa essência.

O resto são comportamentos que adquirimos, que aprendemos e que às vezes nunca mais esquecemos. O nosso cérebro se o deixarmos livre, não tem limites. Criamos os limites para o nosso cérebro, através da disciplina e da organização dessas pequenas rotinas exatamente para limitar a sua natural tendência ao caos.

As pessoas que não limitam os seus cérebros, que não os domesticam, são os gênios.

Não nascemos sabendo andar de bicicleta mas uma vez que aprendemos não esquecemos mais.

Não nascemos andando não porque não sabemos mas porque não temos ainda a musculatura e ossos definidos para o nosso andar. Com o tempo, simplesmente andamos.

Se uma criança for abandonada em uma ilha, ela com o tempo vai andar. Só não anda se for tolhida nos seus movimentos.

E falar? Falar aprendemos. Nascemos com a estrutura física para poder falar. Mas é um dom que o cérebro precisa ouvir para processar e imitar e com o tempo desenvolver.

No mesmo exemplo se uma criança é abandonada em um ilha com o tempo ela não vai falar nada. Porque não vai ouvir nada. Ela vai emitir os sons dos bichos que o rondam. Falar depende da convivência. Assim como escrever, um processo um pouco mais complicado, exige treino e aprendizado. Nascemos com a estrutura física que nos permite escrever. A nossa mão é sensível e extremamente habilidosa. Mas precisamos ensinar o nosso cérebro como escrever.

Na verdade o nosso corpo é extremamente habilidoso e com treino pode fazer qualquer coisa. Podemos ser exímios pintores, exímios artesões, exímios atletas. O que diferencia é a coordenação natural de cada um e a alma, o espírito, fundamental. Mas eu acho que se devidamente estimulados, podemos ser qualquer coisa.

È por isso que eu acho que as pessoas talentosas que se destacam em alguma coisa não é fruto do esforço pessoal. È um dom com o qual a pessoas nasce. Ele nada fez para nascer com esse talento e nem ninguém fez alguma coisa. Portanto não tem mérito. O fato dele aprimorar este talento não quer dizer nada. O estranho seria se ele não o aprimorar. Não há nada a se congratular com esse talento. Não no nível pessoal. Quem tem o dom não é uma pessoa especial. O dom é que é especial. E isso ele nada tem a ver com seu ser. È uma habilidade natural.

O artista não nasce com esse dom. Ele o adquire ao longo de sua vida de acordo com diversas circunstancias.

Van Gogh tinha um dom natural para pintar. A mistura das cores e os efeitos psicodélicos de suas pinturas se devem ao seu espírito, a essência do seu ser. Os quadros do Van Gogh são um testemunho do que ele era. Assim também Picasso, e todos os grandes pintores. Assim também os escritores e escultores. São as circunstancias de suas vidas e a sensibilidade de seus espíritos que produzem as obras de arte.

Assim também os gênios, aqueles que pela força de seus intelectos produzem coisas extraordinárias, como Einstein, Newton, Darwin, Marx, Sócrates, Aristóteles e tanto outros.

Eles nasceram iguais a todos. Esse não era um dom. Isso foi adquirido. Eu pelo menos acho e não há nenhuma base cientifica para esta afirmação. Assim como não há nenhuma base cientifica que me contradiga.

Os estudos sobre o cérebro e a forma como ele funciona explica muitas coisas mas não explicam o dom, o que faz certas pessoas serem diferentes de outras nas suas produções intelectuais. Nos feitos atléticos até que se consegue melhores resultados nesses estudos mas são quase todos na morfologia do corpo. E a consequente especialização dessa especifica morfologia biológica. Uma pessoas alta, se bem treinada se torna um jogador de basquete ou de vôlei mais do que de futebol por exemplo.

E mais um vez, o que faz a diferença é o espírito. E o que diabos vem a ser o espírito?

Os religiosos dizem que é a alma e desde que vc seja um crente, a teologia te explica o que vem a ser a alma. Mas se vc é um não crédulo vc acha que o espírito é a essência de nossa individualidade.

A discussão é longa e os dados que defendem uma ou outra tendência são volumosos e cada vez mais dispares.

O que faz a diferença hoje é a preparação, as técnicas de aprimoramento do dom e os materiais usados para aprimora este dom.

O que as pessoas fazem hoje, os recordes os feitos, as manobras, não é porque sejam melhores. È porque tem treinamento melhor e material melhor.

Um dos clássicos exemplos disso é a lenda do Pheidippides que correu, dizem, 42 kilometros até Atenas para anunciar que o gregos tinham ganho a batalha de Marathon contra os Persas, onde ele tinha lutado. Νενικήκαμεν” (Nenikékamen),  bramou ele, que quer dizer, ganhamos porra e caiu exausto, morrendo. Hoje qualquer Zé Mané com um treino corre a maratona sem maiores problemas.  Outros dizem que ele morreu porque na verdade ninguém entendeu porra nenhuma o que ele estava falando e tentando explicar, morreu exausto.  Ganhamos o que, porra? perguntaram todos. Dizem que daí saiu a expressão falando grego quando não se entende bulhufas.

Outros dizem que ninguém entendeu porque o bravo Pheidippides tinha verdade errado o rumo e foi para em Persépolis, um lugar cheio de Persas, meio putos de ver um grego exausto e babaca se vangloriar eles não sabiam de que. Além de morrer exausto, já que Persepolis ficava a uns dois mil kilometros fora de rumo, os Persas o trucidaram devidamente quando souberem o que diabos ele falava.

Mas isso é outra estória.

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