Carmenere

Posted on 04/07/2011

0


A carmenére é uma das seis clássicas uvas dos vinhedos franceses da região de Bordeaux, as outras são Cabernet sauvignon, Cabernet franc, Merlot, Malbec e o Petit verdot, praticamente extinta na grande praga de 1867 da phylloxera que destruiu os vinhedos da Europa mas particularmente da França, talvez por causa da excelência de seus vinhos. Este nojentinho inseto microscópico originário dos estados unidos aportou na Inglaterra quando ávidos e inescrupulosos agricultores decidiram importar vinhas americanas para Inglaterra. O nojentinho não afetava as vinhas americanas, talvez porque o vinho americano naquele começo do século 19 era uma bosta intragável. Da Inglaterra atravessou o canal da mancha, possivelmente a nado ou no lombo de algum idiota e aportou no continente onde encontro suculentos e soberbos vinhos franceses principalmente na região do Rhone. Daí a destruição foi um passo. Os primeiros vinhos a sofrerem um estrago foi la pelos idos de 1863 e calcula-se que dois terços dos vinhedos da França foi pras cucuias. Dizem as más línguas que o vinho ruim foi todo exportado para os Estados Unidos que não sentiram nenhuma diferença. Outros dizem que esse nojentinho minúsculo inseto era uma vingança tardia dos Estados Unidos contras seus antigos algozes.

O inseto não se dava bem com climas secos ou terrenos arenosos e o único vinhedo que resistiu ao insetinho foi o das encostas vulcânicas da Ilha de Santorini na Grécia. Nenhum produto químico parece que afeta o inseto e hoje se faz o controle do merdinha com o plantio de plantas resistentes ao inseto originárias dos Estados Unidos, onde se enxerta a planta da uva e esta miscigenação cria um vinhedo melhor e mais saudável. Há duvidas se este método muda o sabor dos vinhos mas pelo aumento das vendas e a continua excelência dos vinhos franceses, parece que não. Ou então os críticos perderam a sua sensibilidade.

 

Nessa devastação das uvas o carmenére sumiu e hoje ela só é encontrada no Chile, em alguns lugares da Itália e em poucos lugares dos Estados Unidos. É uma boa uva mas a meu ver nada especial. Produz vinhos encorpados e de cor acentuada e se bebe melhor jovem. Do Chile gosto mais do Neruda.

 

E das uvas a minha predileção é pelo Pinot Noir dos soberbos Borgonha como o Gevrey Chambertin, possivelmente a uva mais difundida no mundo e a mais difícil de ser cultivada e claro, de se extrair bons e soberbos vinhos fortes, densos e com extraordinária personalidade. Tem personalidade tão forte que muitos tem seus próprios psicólogos e te encantam com o sabor e se vc tiver imaginação, com seu agradável papo. È comum se ficar inebriado por dias, semanas, anos e uma vida inteira, como é meu caso, pinguço de carteirinha.

 

E o Syrah usado no blend de excelentes vinhos como Chareuaux-neuf-du-pape e o excelente Bordeaux Cote Du Rhone que na verdade é uma região que produz excelentes vinhos inclusive o Chateaux neuf Du pape.

O Syrah é também muito popular na Austrália onde chegou a se chamar Hermitage mas o Appellation d’Origine Contrôlée (AOC) Frances criou uma quizumba e voltou a se chamar Syrah. Dizem que é a sétima uva mais popular no mundo de cultivo. Tem uma alta concentração de tanino e envelhecem bem às vezes 15 anos ou mais.

Uma coisa interessante aconteceu na Exposição universal de Paris em 1855. Uma outra coisa interessante aconteceu nessa mesma exposição mas no ano de 1889 e nada tem a ver com vinhos. È dessa época a famosa torre Eiffel, o cristo Redentor deles, franceses.

Mas em 1855 se criou a classificação Oficial dos vinhos franceses da região de Bordeaux. Como havia uma cacetada de vinhos chateaux de diversos gostos e produção se instalou a ordem. E assim foram criadas os Gran Crus Classés uma classificação que dava prestigio aos vinhos. E dentro dessa seleta lista, foram classificados dentro de cinco divisões as categorias mais altas. A mais alta era o premier Cru. E são apenas quatro que tem esta classificação máxima: Château Latour, Château Lafite Rothschild, Château Margaux y Château Haut-Brion

Todos os mais de 61 classificados eram da região do Médoc com a única exceção do Haut Brion que se produz em Graves, perto de Bordeaux.

Essa exclusiva lista permaneceu inalterada por mais de 100 anos, até 1973 quando o Mouton Rothschild depois de décadas de encheção de saco do seu poderoso dono, o Barão de Rothschild dono de bancos, vidas e destinos, entre outras coisas, foi elevado à categoria de premier Gran Crus.

O Petrus, apesar de não ter nenhuma classificação de Primeir gran crus é um dos mais apreciados e caros vinhos tintos. È da região de Pomerol dentro de Bordeuax e quase totalmente elaborado com uvas Merlot. È muito citado nas series e filmes americanos. No filme Sideways que falava sobre vinhos da região de Santa Barbara na Califórnia, o personagem principal deveria ter guardado no seu armário empoeirado um Petrus. Mas os donos não permitiram e o cara teve que se contentar com um Cheval Blanc 81, também excelente mas não tão famoso. No final o sujeito americano, claro, bebe o seu precioso liquido em um copo de papelão em uma lanchonete de quinta categoria, com saudades de sua namorada e deprimido com vida. Um babaca. Ta deprimido toma uma pitu, ora porra. Ou então vai toma …. bom, deixa pra la.

Esses vinhos são excelentes velhos e chegam fácil ao seu ápice com 30, 35 anos.

Eu tou excelente com mais de 60, segundo a minha insuspeita opinião.

Anúncios
Posted in: VINHOS