Os limites do homem

Posted on 13/07/2011

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Os avanços extraordinários que vivenciamos em todos os campos do conhecimento são limitados por uma barreira moral que nada tem de natural. É uma barreira que nós criamos, fruto da nossa herança como espécie.

E nos perguntamos se devemos ultrapassar esses limites da nossa condição humana e se devemos ousar para além dos nossos limites morais.

À medida que vamos descobrindo os limites de nossa estrutura humana, à medida que vamos descobrindo de que somos feitos e como somos feitos, à medida que passamos a entender como funciona a nossa existência nas complicadas engenharias do nosso ADN, começamos a ultrapassar as fronteiras proibidas pela nossa percepção moral do que é certo e do que é errado.

È essa é uma aventura difícil para a qual não estamos preparados. Mas é um caminho que não tem volta.

Estabelecemos os nossos valores morais que nos ajudam a viver no nosso tempo. Ao longo da vida, no nosso tempo, vivemos com esses valores e para esses valores. São eles que nos dão perspectiva e nos ajudam a conviver melhor com os nossos semelhantes no nosso entorno.

Mas à medida que o nosso entorno se torna mais vasto, novos lugares nos são impostos e à medida que os nossos semelhantes se tornam mais numerosos e mais diversos e diferentes, mas difícil se torna o nosso convívio. O nosso equilíbrio se resente e os nossos conflitos aumentam.

O microcosmo que nem sabíamos que sequer existia se desvenda diante de nossos olhos e nos espanta o terror que nele se encerra mas ficamos maravilhados com as perspectivas que ele traz para a melhoria de nossa vida.

A velocidade da vida moderna não está adequada aos nossos originais valores estabelecidos e nos vemos obrigados a mudar e a lidar com situações que nos surpreendem e nos chocam. O nosso metabolismo tem um ritmo diferente, mais lento e mais sensível a mudanças.

Valores que nos eram sagrados, que eram importantes e que nos moldaram como espécie, de uma hora pra outra se tornam questionáveis.

Barreiras que nós criamos, na nossa moralidade, e que sempre foram a base de toda a nossa existência se tornam discutíveis e nos damos conta que elas são facilmente ultrapassadas e o que é pior: essas mudanças podem se tornar uma constante.

E começamos a criar uma nova moralidade. Começamos a nos fazer perguntas que antes evitávamos mas que agora não podemos mais deixar de considerar. Questões que podíamos passar toda uma vida sem ter que nos manifestar ou sequer pensar nela, porque eram subentendidas, as circunstancias da vida hoje, nos empurram a pensar e tomar uma posição moral sobre elas.

Porque se trata disso. A nova posição exigida é moral.

Qual o limite da existência humana? Quando ela começa? Sabemos que quando o espermatozoide fecunda o ovulo, começa a ser criada uma vida, uma existência.

Mas quando é que esta vida passa a ser considerada humana? Na fecundação? Quando o cérebro passa a ser formado? E o espermatozoide, o que é? Não é vida também? E o ovulo?

Antigamente somente quando uma criança nascia passava a ser considerada. Isso porque não sabíamos ou não queríamos saber o que acontecia no ventre materno. Sabíamos que tinha uma vida se germinando mas não sabíamos se já era humano. Porque não fazíamos essa pergunta. As religiões afirmavam que já era humano. E aceitávamos isso ou não como um dogma de fé.

Hoje com todos os avanços do nosso conhecimento ainda não sabemos nada. Mas cada vez nos perguntamos mais porque cada vez mais nos encontramos com questões e situações que exigem a nossa resposta. Como vc lida com uma mulher que foi estuprada por um demente assassino e fica grávida? Como vc lida quando vc sabe que esta criança vai nascer com um sério defeito físico? O que vc faz se esta mulher é uma conhecida, uma amiga ou alguém da família? Como vc lida com as pesquisas com células troncos? E como vc lida com as pesquisas que usam fetos que podem salvar vidas? A vida de seu filho, por exemplo?

E a eutanásia? O que é aceitável quando vc vê alguém sofrendo muito além de uma possível cura? E quando ele mesmo, o paciente, quer morrer? O que se deve fazer?

Devemos manipular o ADN para garantir seres humanos mais perfeitos? Com determinadas características escolhidas pelos pais?

E os alimentos transgênicos? E os custos elevados da exploração do espaço?

O que devemos fazer?

Devemos nos limitar por valores morais ou devemos apenas visar o desenvolvimento, o conhecimento, conquistar as fronteiras do desconhecido a qualquer custo?

E se há uma enorme e incomoda duvida sobre o começo da nossa existência, o que dirão de temas mais abrangentes que tem a ver com a concepção de vida?

O que é uma vida? E até que ponto ela deve ser sagrada, isto é, até que ponto ela deve ser protegida?

A nossa opinião é irrelevante. È relevante para nós mas nada tem a ver com a realidade. O que eu acho não muda a realidade.

Eu posso ser contra o aborto ou contra a pesquisa das células tronco ou posso ser contra a alteração dos DNA ou contra a pesquisa da clonagem humana. Isso em nada vai fazer parar as pesquisas. Pode até retardar se o lobby do contra for efetivo. Mas a minha tese é a seguinte. Tudo que existe, existe apesar de nosso conhecimento. Nós apenas descobrimos o que existe. Não criamos nada. Isso quer dizer que o avanço do conhecimento vai acontecer. Mais cedo ou mais trade. È inevitável que assim seja.

As barreiras morais que hoje impedem muitos dos avanços não vão conseguir impedir o avanço do conhecimento. È uma dinâmica natural.

Não se trata de ser a favor ou contra o conhecimento. Não se trata de afirmar que é imoral ou antiético determinada ação. Se trata de lidar com a realidade. Ser contra ou a favor não impede o avanço. Retarda mas só isso.

Estas são questões que exigem o que de melhor temos como espécie. A capacidade de pensar. A coragem de pensar e enfrentar estas duras questões.

O grande problema não é estabelecer fronteiras sobre o que podemos ou o que não podemos fazer. Isso de nada adianta porque não podemos estabelecer limites para o conhecimento.

O foco da discussão não é esse. Vc discutir moralidades limita a discussão porque cada um tem valores morais subjetivos. Quando Galileo Galilei teve que se explicar sobre o heliocentrismo que ele defendia, estavam discutindo moral, não conhecimento. Era um conhecimento que agredia a moral vigente.

Não há limites para o ser humano. Temos que entender que nada descobrimos apenas constatamos com a nossa maior ou menor sensibilidade. Se não constatarmos porque estabelecemos limites morais, outro o fará. O limite não existe ou somente existe limitado por nossos valores. È inevitável e de nada adianta discutir sobre se isso é certo ou errado. Ou até adianta mas é como discutir sobre a composição química da água no meio de uma inundação eminente.

Temos que aprender a lidar com estas novas situações.

E isto é extremamente difícil. Extremamente complicado. Extremamente conflitante e nem sempre vai se chegar a uma solução ou a um consenso que tenhamos originalmente imaginado. Mas é necessário.

Nem acho que os catastrofistas de plantão, que os há e são uns imbecis acham que o ser humano tem um lado animalesco que tende a nos destruir ou destruir o outro de preferência. Nem vou entrar nessa seara que o Freud já o fez de uma forma brilhante. O ser humano tende a se proteger, a proteger suas formas de ver o mundo e às vezes usa a violência para este fim e muitas vezes também usa atos de extraordinária grandeza. O ser humano nunca faz nada sozinho ou por outra, é capaz de se associar para um determinado fim e esta ação gregária é uma característica única da espécie humana.

E também o ser humano é capaz de enormes demonstrações e ações de solidariedade . E não podemos nos esquecer disso. Claro, os boçais preferem ver que o ser humano, com o avanço tecnológico, tende a se destruir. Mas isso é um defeito de seus espelhos. O que eles vem não deve ser nada agradável e portanto é justificado esse seu pessimismo. Mas calma. O futuro não estará majoritariamente povoados por seres abjetos iguais a eles, os boçais.

A busca por um ser perfeito vai fazer parte de nosso avanço tecnológico quer queiramos ou não. Tentar fazer modificações genéticas vai fazer parte do nosso futuro tecnológico, quer queiramos ou não. Os limites morais que hoje temos não irão impedir estes avanços. Eles acontecerão. E ao contrario dos boçais, eu acho que é para o bem não para o mal. Porque acho que o ser humano tem uma grandeza de espírito que lhe é peculiar. Ao longo dos tempos temos visto isto. È claro que os boçais veem destruição e enxergam pessimismo. Acham que o ser humano é uma bosta. Mas eles são boçais ou seja pensam boçalidades. Nada estranho nisso. E vc pode vestir estas boçalidades com elegância, com erudição até com falsa inteligência mas no fundo sempre será uma boçalidade.

A questão fundamental é a nossa própria espécie. Nós seres humanos temos o que? Uns 2 milhões de anos de existência? E destes, digamos que sejam 10 mil ou talvez 20 mil anos de civilização? Em um planeta que tem 5 bilhões de anos de vida e em um universo que tem 15 bilhões de anos de vida? E temos uma expectativas de vida de quanto? Hoje, de uns 70 ou 80 anos com razoável saúde. Depois disso é loteria e temos aumentado a nossa expectativa de vida com os avanços, com novos conhecimentos. Podemos chegar aos 150 anos com boa saúde? È possível. E podemos chegar a mil anos? Com este corpo é pouco provável. Mas é possível se formos substituindo partes gastas do corpo. Na verdade somos apenas uma especifica arquitetura de diferentes átomos em um caldo químico determinado. E pelo que sabemos os átomos não desaparecem. Então é possível sermos eternos? Em teoria, é possível. E na pratica já temos essa certeza. È o que nos garantem as religiões. Não é isso que nos dizem? Que a nossa alma é eterna? Eu acreditar ou não, não muda a realidade.

O certo é que os avanços acontecerão e vamos nos enfrentar com eles e teremos que pensar neles. È inevitável.

Os Estados Unidos estão desenvolvendo novas armas, novas formas de destruir e matar. Esta desenvolvendo novos soldados, maquinas de matar que terão olhos mais apurados capaz de enxergar no escuro. Que terá músculos capaz de maiores feitos e capacidade pulmonar capaz de maior resistência. Esta desenvolvendo soldados que serão mais resistente e mais efetivos. Tudo isso é verdade e tudo isso é apavorante. Mas temos que entender que há uma coisa que não podemos domar. É o espírito humano. E esse espírito humano é que vai se beneficiar de todos estes avanços tecnológicos. E eu acredito que para o bem.

Não podemos nos omitir e deixar de discutir e de enfrentar estas questões. Porque cada vez mais elas se tornam prementes.

E a verdade é que o homem aprende com os desastres, com os equívocos, com os erros porque há um elemento que lhe é vital e que é a razão de sua própria existência.

È o instinto de sobrevivência.

E para manter seu próprio equilíbrio como espécie ele veste este instinto com valores morais mas que limitam o conhecimento.

Nós somos animais, alguns mais que outros como todas as espécies. E temos todos o mesmo instinto de sobrevivência. E muitas das nossas ações são pautadas por este instinto de sobrevivência. Como todos. Mas temos algo que nos diferencia do resto dos seres deste planeta e que nos torna a espécie dominante. Somos os únicos que pensamos. E ao pensar descobrimos o universo que nos cerca.

È inevitável.

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