Os Pasquim de hoje

Posted on 18/07/2011

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O Pasquim nosso de cada dia era censurado pelos militares que detinham o poder um dia sim e outro também. E tudo porque ousava falar mal do status quo com humor, algo que nem todo mundo entende e muito menos acha graça. Se com razão ou não, pouco importa. Os grandes meios de comunicação fazem a mesma coisa com uma diferença: são metidos a sério. O Pasquim pelo menos usava o humor, uma forma perigosa de contar uma vertente da verdade.

 

O News of the World recém fechado na Inglaterra, uma espécie de Pasquim de la com alto teor pornográfico e que bisbilhotava de uma maneira nada católica as bobagens da Rainha e seus súditos nada católicos, foi fechado por livre e espontânea pressão sobre o Murdoch, um Roberto Marinho australiano que tem uns 500 anos e outros tantos meios de comunicação. A acusação? Que bisbilhotava a vida de todo mundo nem sempre de uma forma legal, ou por outras, sempre de uma forma totalmente ilegal.

Qual a novidade? Que eles foram pegos, algo que ainda não aconteceu com os outros.

Isso quer dizer o que? Porra nenhuma. A bisbilhotice e a sacanagem são mais velhas que o homem. Que o diga Adão que foi corrompido pelo alter ego do Maluf de então e só descobriram porque todos seus atos eram monitorados pelo BBB daquela época. E assim foi devidamente sacaneado.

O que eu quero entender é o seguinte. A imprensa livre só chia quando se ataca os grandes meios apadrinhados do poder ou eles são realmente éticos? Depois de parar de gargalhar ou de vomitar, sigamos com o raciocínio.

Vc acha que isso adianta alguma coisa? Por deixar de escrever sobre bobagens as bobagens vão desaparecer? As pessoas vão deixar de bisbilhotar ou as sacanagens vão desaparecer?

A Wikileaks prova que não e a Internet idem. E todos os grandes meios de comunicação ainda estão vivos e bem. Ou alguém tem duvida que eles fazem exatamente igual?

Eu particularmente não gosto da grande imprensa que acha que pode publicar qualquer merda e ta tudo bem. E o que dizer dos governos, os bisbilhoteiros mor, e suas agencias secretas e outras nem tão secretas assim?

Em poucos anos teremos todos um chip implantado assim que nascermos com todos os nossos atos e rebeldias previamente aprovados e poderemos comprar nos super mercados vários tipos de moral e ética em pílulas multicoloridas facilmente digeridas e de ótimo sabor.  Menos os brasileiros. Afinal de contas tem que haver alguma graça no mundo para evitar nos tornarmos todos esquizofrênicos galopantes. E, além disso, aqui os chips vão sair com defeito e as pílulas estarão em falta e só vão ser possível adquiri-las se conhecermos algum muambeiro paraguaio.

 

Exigir seriedade dos meios de comunicação é uma utopia meio fora de moda. Agora achar que o tal pasquim inglês exagerou ou andou exagerando nas suas estripulias é a mesma coisa que achar uma sacanagem quando no meio de um grande roubo um dos aldrabões trai seu cúmplice.

 

A sacanagem tem regra? Qual é? Pode sacanear o que quiser menos a mim. E por “a mim” entenda-se o babalorixá da vez. É assim?

 

Daqui a uns duzentos anos eu vou entender. Eles possivelmente não irão explicar nada. Porque não há nada para explicar. Trata-se apenas de uma guerra de poder. Mais nada.

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