A comuna da Paris

Posted on 25/07/2011

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A comuna de Paris foi um fato extraordinário na história da humanidade. Aconteceu la pelos idos de março de 1871 em Paris, claro e durou escassos 60 dias.

A França tinha saído de uma fase prospera e de grandes desenvolvimentos mas meteu a mão na cumbuca aonde não devia. Ainda ecoavam os ruídos da sua famosa revolução há quase cem anos. O Napoleão, o primeiro, um grande megalômano quis unir a Europa sob uma mesma bandeira, que nem fez o Euro só que me vez do Euro queria que tudo se chama-se França. Foi passear até Moscou e descobriu que o frio era um inimigo mais formidável que os bêbados cosacos que por la andavam. Era um gênio militar se é que isso existe. Um dos dois termos esta mal usado nessa frase. Se elegeu Imperador, foi deposto e voltou para os famosos cem dias, uma analise que hoje todo mundo faz de um novo governo. Só que foi definitivamente derrubado não pelo Globo ou pelo Estadão mas por Wellington um Ingles que tinha ido comprar umas batatas fritas o prato nacional Belga, alias uma delícia, em Waterloo, um lugar na Bélgica onde se reuniam alguns Ingleses, Alemães, Espanhóis e Holandeses que adoravam dar sovas nos Franceses. O resultado desta histórica sova fez o General que era um pouco mais alto que o Nelson Ned mas muito pouco, se isolar na Ilha de Santa Helena uma minúscula ilha no Atlantico. Pra seu tamanho era gigantesca. E ai morreu. Depois vieram os Reis de novo por um período até se instalar a primeira republica em meados do século, em 1848 e um outro Bonaparte, o seu sobrinho se eleger democraticamente presidente. Mas como era Bonaparte queria mais e se elegeu Imperador. De novo. Mas este Bonaparte era diferente do seu tio. Se autonomeou Napoleão III o ultimo monarca da França e transformou a França tanto na área financeira com um revolucionária ideia de permitir que a prefeitura fosse beneficiada também em vez de só os donos de terras e industrial, com a modernização de seu parque industrial e a criação de uma moderna e eficaz infraestrutura mas principalmente na área social com a autorização da greve e as primeiras organizações trabalhistas que originaram os sindicatos, em uma prospera nação. Dizem alguns historiadores que foi a período mais extraordinário da França na historia. Dizem eles. A sua política externa foi uma mistura de sucessos e fracassos com significativas agressões colonialistas desde o longínquo Vietnã até o México do Maximiliano que foi devidamente fuzilado pelos Mexicanos que não entendiam porra nenhuma o que aquele estranho personagem que se dizia Rei, falava . Foi no seu governo que Paris sofreu a grande transformação urbanística, sob a batuta do Barão Hausmann, nome hoje de um famoso Boulevard, que abriu as largas avenidas em radio se originando no arco do triunfo, que hoje fazem seu encanto. Mas se meteu com os Alemães, eficientes na arte de guerrear e acabou preso e morreu no exílio em 1873. A Alemanha naquela época se chamava Prussia e o seu chefe era o Otto Von Bismarck.

Com a derrota da França Paris depois de um longo sitio, estava com fome e claro quem estava com fome era a classe trabalhadora, os humildes de sempre. E eis que aparece no horizonte o futuro presidente da terceira republica o Adolpho Tiers, assim mesmo com esse tétrico primeiro nome. Um extraordinário genocida.

 

E assim neste cenário desolador nasce a comuna de Paris, um fato extraordinário da história mundial.

Vamos explicar.

 

Corria o ano de 1871. Bonaparte III tinha sido deposto e os exércitos Prussianos cercavam Paris, abandonada a sua sorte pelos seus mandatários, como Adolpho Tiers a frente, que tinham ido se refugiar no Palácio de Versailles, de onde o Bismarck comandava o cerco, a seguros 20 kilometros de distancia, a imponente residencia do Luis XIV, o Rei sol, há uns 200 anos atrás e símbolo do poder monárquico da França. Nada mais representativo.

Na cidade ficaram os operários e a guarda municipal que tinha se transformado de um corpo de manutenção da paz da cidade a uma guarnição militar com enorme prestigio na sua população humilde. E isso porque defendia os humildes ao contraio da nossa guarda municipal que bate nos humildes, uma característica das forças repressoras em qualquer latitude do planeta.

Mas em 18 de março depois de uma série de medidas imbecis do genocida Adolpho, como a execução imediata de todas a dividas, a eliminação dos salários a Guarda Municipal, o confisco de todas as ferramentas dos operários, o fechamento de seis jornais de grande tiragem, com mais de 200 mil exemplares diários, que já tinha assinado um armistício com os Prussianos la em Versailles, a população acéfala e abandonada a sua sorte, tomou o poder e imediatamente convocou eleições democráticas para eleger seus conselhos nas comunas que é como ainda são chamados os diversos bairros de Paris. Todas as correntes socialistas se uniram em algo que parecia impossível. La estavam os comunistas, os socialistas de diferentes tendencias, os marxistas, os anarquistas, até os jacobinos com saudades da revolução de 89. E todos trabalhando juntos, cooperando, resolvendo suas diferenças.

Claro que o pessoal de Versailles ficaram putos com essa audácia da chusma ignara. E começaram a organizar um exercito com mercenários, assassinos libertados das prisões, psicopatas e o pessoal da extrema direita que mais ou menos é uma síntese de todos eles.

 

Enquanto isso o pessoal da comuna de Paris recém empossada tinha assuntos importantes a tratar. Tinha que construir uma pratica socialista para o pessoal que nada tinham. A Guarda Municipal que era a autoridade constituída, renunciou e se estabeleceram eleições em um congresso representativo de todas as diferentes parcelas dos mais de dois milhões de habitantes da Paris daquele época. Rapidamente se organizaram comitês de bairros que colocaram mãos a obra e começaram a trabalhar para melhorar a condição de vida de todos. Para isso instituíram leis que são um exemplo, ainda hoje, de como verdadeiros legisladores imbuídos de espírito publico devem agir.

Perdoaram as dívidas que o Adolpho tinha mandado executar em uma medida bem no estilo economistas liberais que veem o equilíbrio das finanças em vez do equilíbrio da vida. Devolveram as ferramentas dos pequenos artesões e proprietários que tinham sido perversamente destituídos de seus instrumentos de trabalhos. Permitiram que os operários das fabricas tomassem as rédeas da administração quando os donos e administradores tivessem abandonado as instalações, o que todos fizeram com medo dos operários que tinham ousado reclamar. Instituíram o estado laico com separação entre Estado e Igreja, e obrigaram as Igrejas a permaneceram abertas depois dos cultos para receber as reuniões das comunas dos bairros. Não proibiram os cultos e nem perseguiram os padres sempre do lado dos poderosos. Criaram creches e instituíram pensões para as famílias dos mortos em combate e diminuíram os alugueis que tinham sido absurdamente aumentados, até que a ordem se restabelecesse. Cuidaram das reformas na educação, instituindo cursos de capacitação profissional para todos. E pasmem, respeitaram e mantiveram intactos os bancos e instituições financeiras chegando inclusive a pedir humildemente creditos. O Banco de Paris, com seus milhões de francos foram deixados de lado com medo que a comunidade Internacional os censurasse. E ingenuamente, não bloquearam os fluxos de capitais que iam para Versailles e financiavam a montagem do exercito repressivo que se preparava para esmagar aquela audaciosa rebelião.

Essa audaciosa rebelião não perdeu tempo perseguindo seus antigos algozes, permitindo inclusive a passagem livre dos soldados do exercito com todas as suas armas que abandonavam Paris. Um grave erro que os mordeu o rabo no final.

Não pensavam que tinham inimigos. Porque deveriam ter? Só estavam cuidando de suas vidas. Se esqueceram que este é o maior perigo. Nenhum poder admite a livre organização. Nenhum poder admite a liberdade. Nenhum poder admite a busca pela felicidade.

Todos incentivam tudo isso da boca pra fora, mas nenhum admite que as pessoas realmente o façam. Porque se assim for, não há necessidade de um poder.

 

Se preocupavam em organizar e instalar medidas positivas para melhorar a vida das pessoas. E o faziam democraticamente e pragmaticamente. E com incrível unidade de todas as tendências políticas.

Limparam a cidade e restauraram a ordem. A cidade funcionava e funcionava bem.

 

Do outro lado os abutres preparavam um festim de sangue.

Não podiam admitir tamanha audácia. E responderam da única forma que sabiam. Com enorme ferocidade.

Tinham se passado apenas dois meses da instalação da Comuna quando depois de intensos combates, intensos bombardeio, o exercito entrou em Paris e começou a retomar a cidade rua a rua, bairro a bairro. E de uma forma brutal e sem piedade. Matavam a tudo que se movia, a tudo que ostentava a bandeira vermelha da Comuna de Paris. Não importava se eram mulheres, crianças, velhos ou inocentes. Não há inocentes. Apenas pessoas que estão do lado errado. Esse assalto final foi conhecido como a semana sangrenta. E sangrenta foi, sem duvida.

Depois que o ultimo bairro foi tomado, o mais humilde, a matança não parou. Era preciso exterminar e extirpar todo resquício de rebelião. E começou a matança pós conflitos, que durou anos.

Gente foi fuzilada in loco. Pessoas foram mandadas para prisões ultramarinas, no meio do Pacífico. Gente foi desterrada. E gente foi simplesmente assassinada em plena luz do dia em qualquer lugar. E se criaram campos de concentração onde as pessoas eram levadas por terem apoiado a Comuna e eram simplesmente mortas. Foi algo impressionante. Mandado pelo Adolpho Tiers. O genocida filho da puta. Este safado filho de uma égua que era o Presidente provisório da segunda república, contente com seu feito deu uma de Janio e apresentou a sua renuncia pouco tempo depois no novo congresso recém empossado pensando que eles rejeitariam seu pedido. Aceitaram. Morreu poucos anos depois de mediocridade aguda e hoje é o assessor especial do Satanás e tem assento permanente no conselho dos grandes merdas da história.

 

Não vale a pena dizer quantas pessoas morreram. Uma tragédia não se mede pelo numero de vítimas. Foram sonhos destruídos, universos aniquilados. E a troco de nada por simples e desumana brutalidade perpetrada por genocidas.

 

E qual foi o erro da Comuna?

Por incrível que pareça foi não organizar uma força militar centralizada que guardasse suas conquistas e mantivesse a rebelião a salvo. Que protegesse a ideia. Uma ação de defesa central. Segundo alguns, deveria ter esmagado a oposição de Versailles enquanto era tempo.

Nesse mundo agressivo de tanta mediocridade feroz e brutal vc tem que ter a capacidade de defender as suas ideias e nem sempre apenas no plano intelectual. É assim.

 

E quais foram as contribuições, as conquistas da Comuna?

Mostrou que as pessoas sabem se organizar. Sabem cuidar de suas próprias necessidades e sabem trabalhar juntos apesar de suas diferenças. E o fazem de uma forma pacífica, solidária e extraordinariamente eficaz.

E sabem defender seus direitos, que são básicos, pacíficos e naturais.

E isso é um perigo para qualquer poder.

Anos depois do trágico fim da Comuna de Paris ela ainda inspira gente em todo o mundo.

Era o sonho do Marx tornado realidade. Um conjunto de pessoas de diferenças tendências mas com um mesmo objetivo que é a felicidade e o bem estar de todos, se auto governando, funcionando e vivendo dignamente. Era a realidade pragmática dos Anarquistas, uma sociedade sem governo e sem patrões que funcionava. Era a inspiração do comunismo puro onde tudo era de todos e os problemas e as soluções eram comuns a todos. Se iria dar certo no futuro ninguém sabe mas o que espanta era o ódio que este sucesso despertou na classe média, na burguesia, na aristocracia, nos patrões, na direita. Porque? Porque a violenta repressão? Porque a perseguição posterior?

Pra mim é simples. O poder, qualquer poder, não admite a contestação, a rebeldia, o desrespeito as suas normas e regras. E a resposta é violenta. Sempre.

 

Mas nada disso importa. A Comuna de Paris foi uma inspiração e continua sendo, sobre toda ação social que visa o bem estar das pessoas.

E era o pesadelo do capitalismo. Simples assim.

Um experiência fantástica. Uma realidade assombrosa.

Uma tragédia brutal.

 

Em pouco mais de 60 dias, todos os dramas e realizações do gênero humano se manifestaram. Toda sua extraordinária doçura, sua enorme capacidade de trabalho solidário, sua vocação democrática e na brutal repressão, toda a sua perversa brutalidade.

 

Mais de 100 anos depois, o espírito da Comuna de Paris permanece entre nós como uma fonte poderosa de inspiração.

 

A Comuna de Paris começou em 18 de Março de 1871 e terminou tragicamente em 28 de Maio de 1871.

A sua bandeira era vermelha.

O seu sonho era possível.

A sua mensagem foi revolucionária.

A sua ação foi um exemplo para os seres humanos.

 

Um fato extraordinário

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