O erudito idiota

Posted on 25/07/2011

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Errava tudo que pesquisava na internet com seu moderno iphone 43 com 64 bromtobyte de memória. E que diabos é um bromtobyte? São um trilhão de gigabytes, mais ou menos.

 

Era um erudito idiota. E porque sabia tudo na ponta da língua já que o seu iphone era na verdade um minúscula espinha perto de sua orelha e a sua conexão com a internet era de banda larguíssima que nem dez autobahn, as super via expressas alemãs. Respondia a tudo na lata e com detalhes extensos que intimidavam. Tudo falso. Mas quem contradiz um erudito?

Mas como era um imbecil de carteirinha não entendia merda nenhuma do que falava.

E com o tempo as suas verdades que eram originalmente mentiras se transformaram em verdades porque passaram a fazer parte de novas edições dos bancos de dados. Grandes mentiras se transformam em grandes verdades.

E porque ele errava tudo? Um minúsculo inseto quase invisível chamado filoxera que foi o responsável pela quase extinção dos vinhedos na Europa no começo do século 19, tinha alterado o seu poderoso chip de uma forma quase imperceptível. O defeito era microscópico mas este minúsculo defeito tinha alterado o numero das paginas do seu índice do vasto banco de dados do conhecimento humano que chegava no seu chip. Podia se dizer que este erudito idiota foi o primeiro esquizofrênico digital da história.

E assim ficamos sabendo que a formula do Einstein era na verdade uma receita de bolo de fubá, que o logaritmo das efemérides não calculava o posicionamento dos astros mas era um manual de construção de velocípedes e descobrimos que a filosofia de Aristóteles era uma historinha infantil sem nenhum significado. Soubemos que o Cristóvão Colombo era na verdade um travesti famoso da Lapa e que o Vaticano era um bordel da rive gauche em Paris. E soubemos que o Flamengo não foi campeão brasileiro de 87. Nem tudo era mentira.

 

Todo o conhecimento humano se subverteu e se modificou e nos tornamos todos idiotas instruídos. Muitos não notaram a diferença.

O que na verdade já éramos sem nos darmos conta disso.

 

Moral da história?

É bom não acreditar em tudo que se ouve. A não ser que seja uma morena fogosa e gostosa te sussurrando no ouvido: eu te amo. Mal não faz acreditar.

 

E como dizia aquele chulo personagem tardiamente excitado quando descobriu que a Larisa Riquelme era na verdade o Fernandinho Beira mar: agora vou ter que sair e arrumar uma vagaba pra aliviar a maçaranduba.

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Posted in: ASSIM É A VIDA