A virgindade das células

Posted on 15/08/2011

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Não sabemos como e nem porque uma célula virgem, isto é, uma célula do embrião, aquele pontinho menor que um grão de areia só visível com um microscópio,

Os cirurgiões plásticos destas células tentam transformá-las em partes do corpo que eles desejam. È verdade que o que move, geralmente, esta espécie de pintanguys das células não é propriamente uma melhora do aspecto físico de certas partes anatômicas do ser humano. A pesquisa destes esteticistas é para criar células sadias que irão substituir células danificadas de alguma parte do nosso corpo. Pelo menos esta é a filosofia declarada dos geneticistas e não há nenhuma evidencia que contrarie isto. Por enquanto.

Uma célula adulta, uma célula de pele, por exemplo, com a nossa atual tecnologia só pode gerar células de pele. As células troncos, isto é, as células de embriões que ainda não são nada específico na morfologia do corpo humano, podem se transformar em uma célula de qualquer órgão do nosso corpo. E com a manipulação genética das experiências feitas com estas células virgens, podemos determinar que estas células se transformem em células de um determinado órgão humano.

Um cientista japonês, Shinya Yamanaka em 2007 consegui transformar uma célula adulta de um órgão humano em uma célula virgem, uma célula tronco, que pode se transformar em qualquer coisa. A forma como ele conseguiu isto foi inoculando a célula adulta com um vírus e destruía seu genoma original. Isto causava câncer nas células virgens e não adiantava muito porque em vez de curar, causava mais defeitos. Mas era um feito notável.

Um pesquisador americano de Harvard, Derrick Rossi, fez o que os japoneses sempre foram acusados de fazer. Copiar tudo, se bem que a Xerox é uma invenção americana.

Mas o Rossi consegui fazer a mesma coisa que seu colega oriental, ou seja, aproveitou o feito extraordinário, só que sem inocular vírus nenhum e sem destruir o genoma da célula. Consegui criar uma célula virgem sadia que pode se transformar por sua vez em uma célula de rim, por exemplo, ou uma célula do coração ou do cérebro. Ou seja, esta célula virgem criada de uma célula de pele, por exemplo, pode se transformar em qualquer célula que o nosso corpo precise e sem mexer em nenhuma célula do embrião.

Isto é um feito extraordinário e um notável avanço na engenharia genética.

É evidente que essas experiências atuais só são feitas em ratos e alguns argentinos. Um dos problemas encontrados é que parece que esta célula que se torna virgem mantém uma espécie de memória do que ela foi e isso pode teoricamente criar algum problema.

É o tal negócio. Nós somos apenas um monte de átomos dentro de um determinado desenho funcional. Ao morrermos nossos átomos apenas se dispersam e a nosso original estrutura deixa de existir. Mas será que esses átomos que irão se juntar a outros e formar alguma coisa, não carregam também uma espécie de lembrança do que eles eram antes? Não somos nós uma série de lembranças de estruturas passadas?

E onde fica a alma nesta história toda? Ela que é feita de …. de que mesmo? De ar, de vento, de wishfull thinking?

A discussão ética sobre o uso de células troncos de embriões in vitro que são descartados, diga-se de passagem, esta eliminado com esta nova descoberta a não ser que surja uma nova religião que defenda as células pele.

A discussão ética a que se refere o uso das células troncos para pesquisas científicas e o seu uso para curar doenças tem a ver com o conceito de vida. Até agora nem a ciência e nem a religião consegui determinar aonde começa a vida humana. Teoricamente, segundo a ciência, qualquer célula é uma vida. A questão é saber quando esta célula se transforma em vida humana ou quando esta célula recebe uma alma. A religião acha que….Até ai morreu o Neves que nem sei quem é. Achar por achar eu também acho um monte de coisa que algumas vezes coincidem com a realidade. E os legisladores, os que fazem as lei, determinam o início da vida baseados em porra nenhuma ou em  achismos, o que vem a dar no mesmo.

O que todo mundo se pergunta é qual o tempo necessário para se começar a aplicar esta nova técnica genética em humanos. Todo cuidado é pouco como sabemos, na ciência. São necessários vários protocolos de máxima segurança que visam evitar desastres. Na ciência a máxima normalmente proposta é segurança, segurança e segurança. Mas nem sempre é assim. Os descobrimentos científicos e suas aplicações práticas e por aplicações praticas se entende a aplicação em humanos, é coalhada de desastres nem sempre noticiados. Hoje em dia com a internet e os jornalistas de meia tigela com celulares na mão que nos tornamos todos, as experiências fracassadas são mais dificilmente escondidas. Mas e os apressados?

Sei que há cientistas que estão fazendo estudo sobres esta técnica por motivos pessoais. Tem filhos com diabetes e querem a sua cura. Será que eles serão éticos e cuidadosos nos seus estudos e experiências? Será que não serão tentados a usar atalhos diante do desespero?

A discussão é acadêmica, infelizmente. O avanço vai acontecer queiramos ou não e será feito com cuidado, a forma ideal ou sem cuidado. E isso pode ser um desastre. Não somente pode matar o paciente, um ser humano, a cobaia, como pode criar uma merda gigantesca e detonar uma série de desastres genéticos e celulares que criem um super vírus, uma super célula que se torne mortal e nos mate a todos.

E ai?

Qual o limite e sabemos que não há limite. No futuro poderemos duplicar o ser humano, poderemos duplicar todos seus órgãos. Poderemos com isto tornar o homem imortal? Teoricamente, porque não? Ou seja, poderemos ter um monte de pessoas circulando por ai criados geneticamente em laboratórios? Há menos de 100 anos não sabíamos o que ADN queria dizer e foi somente na década de 50 que se estabeleceu a hereditariedade.

O primeiro transplante de rim foi em 1953 e o primeiro transplante de coração foi em 1967. Diziam que era impossível.

A impossibilidade é apenas uma ignorância momentânea.

E nós somos apenas habitantes momentâneos deste pedaço de rocha perdido no espaço com uma gigantesca bola de fogo em constante explosão a apenas 150 milhões de kilometros de distancia.

A probabilidade de dar uma grande merda é gigantesca. Mas como a probabilidade é apenas um cálculo estatístico, um outro nome para a mentira, a probabilidade de dar tudo certo é também significativa.

Amanhã vou jogar na loteria.

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Posted in: O CORPO HUMANO