Eu miro as estrelas

Posted on 22/08/2011

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A DARPA, uma acrônimo para Defense Advanced Research Projects Agency é uma agencia meio secreta do Pentágono que cuida do desenvolvimento de interessantes projetos. È meio secreta por razões obvias já que tudo que é do Pentágono é secreto mas não sei se seus poucos empregados usam máscaras ou se trabalham de olhos vendados. Não tem nada a ver com o serviço secreto dos Estados Unidos, aqueles sujeitos vestido de preto com óculos escuros e earphone bastante aparente e que cuidam da segurança do presidente americano. Não sei porque chamam serviço secreto se todo mundo sabe de sua existência e quando se anunciam, pelo menos nos filmes, o fazem em alto e bom som. Eu acho que se fossem serviço secreto mesmo deveriam se anunciar em um leve sussurro. Sei la.

Mas o DARPA que não se anuncia tão ostensivamente assim foi criado na final da década de 50 quando os Russos mandaram uma cadela pro espaço, a bela Laika e logo depois mandaram seu dono, o Yuri Gagarin.

Isso era um acinte para o orgulho tecnológico americano. Tinham sido eles os inventores da bomba atômica e que tinham feito seus dois primeiros testes no Japão. Tinha gente la, mas pros americanos era um detalhe. Afinal eram todos japoneses e não era ainda a época do politicamente correto. Não tinha problema.

A DARPA originalmente foi um bando de nerds que se reuniam e pensavam adoidado. Possivelmente com a ajuda de doses maciça de LSD. Talvez, ninguém sabe, secreta que era.

Mas inventaram coisas interessantes. A Internet foi uma invenção deles. Precisavam uma comunicação em rede entre os militares e daí saiu o passo inicial do que hoje é a Internet.

Arthur C. Clarke o autor de ciência ficção e que escreveu entre outras coisas 2001 uma Odisseia no Espaço que virou filme, já tinha previsto a comunicação via satélite, mas ele não era um dos doidões que se reuniam e puxavam fumo, quer dizer, que pensavam em coisas bizarras. Mas a ideia dele deve ter inspirado a construção e lançamento de satélites de comunicação, algo essencial hoje em dia na nossa vida. Como diabos iríamos descobrir que a Paris Hilton batizou seu cachorrinho de Lulu com Champagne em uma nega festa na Riviera Francesa ao som dos Mariachis ou se um tufão de proporções bíblicas arrasou o oeste dos Estados Unidos matando vacas, coelhos, bois e alguns americanos pra deleite de alguns Japoneses remanescentes de suas experiências bombásticas?

O que exatamente estes fatos enriquecem a nossa vida ainda não descobri.

Mas uma coisa se diga do Darpa. A maioria de seus projetos de estudo são geniais.

Uma delas é o estudo sobre a construção de um foguete que possa chegar a Alfa Centaurus, a estrela mais perto do nosso sistema solar e por mais perto estamos falando de uma distancia de 4,4 anos luz. Isso quer dizer que se pudéssemos construir um foguete que viajasse a velocidade da luz, 300 mil kilometros por segundo, algo impossível em termos físicos, esse foguete levaria quatro anos e meio pra chegar a tal estrela. Pra que é uma outra história mas é da natureza humano a tendência cigana. Somos todos uns Marco Pólo de meia tigela.

A Darpa recebeu 500 mil dólares para estudar a construção de um foguete que pudesse fazer esta viagem extraordinária, uma ninharia mas um fato relevante. A grana é só pra financiar o começo dos estudos e é evidente que o foguete não alcançará a velocidade da luz mas deveria ser bastante rápido. Se levarmos em conta a velocidade do Voyager 1, o pequeno veículo lançado em 1977 e hoje em algum lugar fora do sistema solar que não tenho a menor ideia de onde seja e nem ele e nem a NASA, mas que continua operando e mandando cartinhas e postais do vasto Universo, sendo o veículo mais rápido hoje existente, ele levaria uns 70 mil anos pra chegar a Alpha Centaurus. Esse futuro provável foguete se espera que levaria uns 100 anos pra chegar a tal estrela.

Os efeitos sociais, psicológicos, morais, físicos, religioso, econômicos de tal empreitada são absolutamente estarrecedores e além da imaginação. Vc pensar em um foguete com gente, bastante gente pra valer a pena, viajando durante cem anos em um ambiente fechado e recluso, são considerações assombrosas em termos morais, religiosos, psíquicos, sociais além de logísticos. E quanto custaria isso? E pra que? Possivelmente as pessoas que chegariam la seriam de uma segunda ou terceira geração dos originais viajantes e se calcula que seriam uns 500 e nem todos sobreviveriam pela seleção natural da vida.

Hoje em dia o custo seria inviável e só esse estudo da construção do possível foguete levaria uns 100 anos. E bota mais uns duzentos anos pra se aprimorar a tecnologia proposta ou se inventar uma outra.

Uma das ideias discutidas seria de um foguete que explodiria uma bomba atômica, olha ela ai de novo, na traseira do foguete a cada dois segundos e a onda da explosão impulsionaria o foguete na sua viagem. Em teoria este foguete levaria um ano pra chegar a Júpiter mas levaria centena de anos pra chegar a estrela do destino.  Imagina o deposito das bombas? Seriam mais de três milhões de bombas só pra chegar. Há outras ideias com motores propulsados por gigantescas velas solares e minúsculos reatores atômicos que lançariam uma balas atômicas detonadas por raios laser, mas todas são fascinantes e tem cada vez mais fiscos, matemáticos, engenheiros, psicólogos, economista, filósofos, religiosos, antropólogos e políticos envolvidos em reuniões e grupos de estudos.

 

Qual seria o sentido da viagem é uma outra coisa. Cedo ou tarde o genoma da terra estará praticamente decodificado e poderemos botar em um ovo todo o genoma do planeta. Em teoria, bastaria se jogar um desses ovos em um planeta e deixar a natureza seguir seu curso. Em alguns séculos, poderíamos ter uma planeta habitável.

A NASA tem um satélite lançado em 2009, o satélite Kepler cuja missão é varrer a nossa galáxia ou parte dela e orbitar estrelas procurando por planetas com a mesma características que a nossa mãe terra. Até 2011 tinha descoberto 1237 possíveis candidatos a planetas habitáveis orbitando umas 900 estrelas.

È bom seguir o conselho do Físico Stephen Hawking e fazer esta pesquisa em silencio. O Hawking diz que devemos cessar a procura por seres extraterrestres e da uma boa razão para tal providencia. Qualquer ser extraterrestre que nos contate deve ser em teoria mais avançado que nós. E como todo ser mais avançado a lógica diz que esses seres escravizam ou eliminam os seres inferiores, no caso, nós. Foi isso que fizeram ao descobrir a América, por exemplo. Os escravizaram e os aniquilaram. Portanto todo cuidado é pouco. Vamos procurar, mas em silencio.

 

O que vai impulsionar a pesquisa, como sempre, vai ser a necessidade. Na medida em que esgotarmos o nosso planeta e isso fatalmente vai acontecer cedo ou tarde ou se algum cataclismo monumental acontecer, como um gigantesco meteoro nos atingir ou os americanos apertarem o botão errado ou indo mais longe, daqui a alguns bilhões de anos (ei, o tempo passa) e o nosso sol ameaçar explodir e nos engolir, isso vai fazer da pesquisa uma necessidade de primeira ordem.

E é evidente que estes viajantes espaciais nunca irão voltar. Voltar pra que? Ou seja, os extraterrestres seremos nós mesmo.

O estudo é fascinante.

Semana que vem um outro estudo mais terrenal mas igualmente fascinante. Pena que o objetivo seja imbecil.

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