Gim com tonica: uma senhora bebida

Posted on 29/08/2011

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Conta a lenda que nos florestas infestadas de mosquitos transmissores da temida malária, a terceira causa de morte no mundo, na longínqua e exótica Birmânia, os intrépidos colonizadores Ingleses andavam nos pântanos, vales e bosques em busca de incivilizados e milenares habitantes daquelas ermas regiões pra introduzi-los de preferência a força a cultura Inglesa do chá com porradas não necessariamente nessa ordem. Depois de um longo e exaustivo dia, se vestiam com seus impecáveis e melhores smokings em plena jungla e ceavam placidamente com um calor de 40 graus a sombra já que era de noite.

Antes de seus ágapes tomavam seus drinques e conversavam em silencio como é costume nos Lordes do Império.

O quinino já tinha sido inventado no século 15, na época dos exploradores Espanhóis nas Américas e era a melhor arma para combater a malária transmitida por um insípido e insignificante e atrevido mosquito de merda, uma espécie de mini Drácula dos trópicos.

O quinino é extraída da arvore cinchona, originária da America do sul e que deve seu nome a Condessa de Cinchona que se curou da temida febre tomando um chá da dita arvore. Como ela se chamava antes de seu batismo, ninguém tem ideia já que os originais usuários do chá da árvore eram os Incas e antes que eles pudessem falar alguma coisa, já tinham sido todos extintos. Seu gosto original é amargo e serve como flavorizante da água Tonica.

A água Tonica por sua vez foi criada na Índia na época do Império Inglês e muito antes do Ghandi. Por conter quinino, a água tônica era usada no combate a malária.

Mas convenhamos, beber só água Tonica é um porre.

Imagina os Ingleses vestindo smoking naquele calorão da floresta, rodeado de mosquitos e bichos estranhos, tendo que aturar outros ingleses e suas frigidas mulheres não tendo merda nenhuma a fazer e tremendo de febre?

Vamos tornar este amargo remédio sem graça, esta água Tonica de merda e acrescentar um pouco de gim ou bastante conforme o caso, pensaram eles e dar um pouco de graça a nossa vida.

Pronto. Estava inventado o gim Tonica e as horríveis mulheres inglesas e sua frigidez se tornaram balzaquianas gostosas, os mosquitos infernais se tornaram adoráveis insetos, os buanas carregadores eram seus interlocutores e parceiros sexuais e todas as bostas da floresta em volta como por mágica se tornaram um paraíso.

Ficaram todos de porre e adoraram a experiência.

O Gim dizem as boas línguas como os porristas eméritos por exemplo, é uma bebida alcoólica natural e boa pra saúde. O fato do Gim ser destilado umas quatro vezes tiraria sua definição de natural mas ao acrescentar diversas frutas e vegetais a fazem boa pra saúde. Em doses não muito generosas é bom salientar mas esta é uma recomendação não muito aceita pelos apreciadores do bom e velho Gim que também são apreciadores de tudo que contém álcool, também conhecido como alcoólatras anônimos pela total impossibilidade física de nomeá-los a todos.

O Gim deve seu nome ao genièvre em francês , o zimbro do Junípero, uma fruta de um pequeno arbusto que é adicionado depois de uma de suas inúmeras destilação.

Há um estudo cientifico totalmente sem fundamento e sem nenhuma comprovação cientifica, assim espero, que diz que o gim Tonica amolece o cérebro.

Se formos levar em conta o cérebro dos últimos Ingleses notáveis o estudo encontra seu fundo de verdade. Mas isso é assunto para os antropólogos ou legistas.

E antes que meu neurônio operacional volte, ausente há algumas décadas, vou me servir uma generosa dose de um bom Gin Tonica com algumas pedras de gelo e uma pequena casca de limão.

E um suave e soberbo Partagás.

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