Um dia na vida

Posted on 29/08/2011

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Barbato estava deitado na sua cama enorme. Os lençóis brancos desarrumados e amontoados em algumas partes de seu corpo inerte, o cobertor de lã jogado no chão, os travesseiros totalmente assimétricos, criavam um estranho mosaico que indicavam uma noite agitada.

A manhã começava e se anunciava pelas enormes janelas do seu amplo quarto.

Barbato costumava ter duas pernas como todos os mortais comuns.

Um acidente de carro o tinha privado de uma delas.

Agora ele usava uma prótese.

 

Levantou, se vestiu e foi pra pista de atletismo.

O estádio lotado estava tenso com o momento mágico. Era a final dos 100 metros das olimpíadas de Moscou.

Barbato correu que nem o vento.

Quebrou o recorde com assombrosos 5,85 seg. Ganhou a medalha de ouro. Subiu ao pódio e foi ovacionado. De tarde ia correr a maratona, a ultima prova das olimpíadas daquele ano mágico.

Correu os 42.195 metros, quebrou o recorde mundial e entrou soberano no estádio que o ovacionava de pé para ganhar a prova. De novo. A sua décima medalha de ouro.

 

Voltou pra seu país e foi carregado nos braços de seu povo. Desfilou em carro aberto. Foi recebido pelo Presidente, condecorado com a medalha de honra e recebeu honrarias de um mandatário nobre.

Chegou ao seu belo duplex de frente pro mar onde a sua bela mulher, a miss mundo, o esperava de braços abertos e nua.

Fizeram amor por três dias seguidos.

 

Recebeu 10 milhões de dólares pelo seu feito e assinou um contrato de 50 anos com uma marca famosa que lhe garantia o seu bem estar pro resto de sua vida.
A sua mulher anunciou que estava grávida de gêmeos.

A hereditariedade estava garantida.

E no ano seguinte ganhou o premio Nobel da paz e foi eleito secretário geral da ONU.

 

Um barulho forte o acordou.

Estava deitado na sua cama.

Viu o médico entrar.

Sentiu as suas duas pernas.

A sua cama enorme não era assim tão grande no seu pequeno quarto e a pequena janela tinha grades.

 

– Esta na hora

 

Sentou na sua cadeira de rodas.

Atrás vinha um padre.

 

– Esse cogumelo mexicano é muito doido dotô. Brigadão.

 

Foi executado as três da tarde.

Mais um dia se esvaia na penitenciaria do Texas.

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Posted in: ASSIM É A VIDA