Celebramos a morte?

Posted on 17/09/2011

0


Quem são os nossos heróis de hoje? A quem celebramos?

Quem foi o personagem principal do imaginário americano dos últimos dez anos?

Bin Laden, um obscuro radical.

Alguém se lembra do Manoel?

Quem foi esse cara?

O teu vizinho, oh babaca!

Aquele que estava sempre vestido com o seu melhor sorriso.

Os bonzinhos tem prazo de validade. Ninguém aguenta por muito tempo o sujeito bonzinho. Enche o saco e enjoa. O sujeito tem que ter algo de maldade para fascinar. Algo que mexa no teu conformismo que seja diferente do que vc aparenta ser. Temos predileção por personagens que estão do lado errado da vida. E por lado errado entenda-se o lado oposto ao nosso, ao que nos vendem como o lado certo.

O grande problema é que nos vendem que este lado errado é algo proibido e é a morada do demônio. Nada mais errado. A vida é repleta de lados opostos e saber conviver com isso é a arte da vida. Nada é proibido ou nada deve ser proibido. Há apenas uma falta de informação, uma informação tendenciosa. Uma moralização do que é a forma correta da vida e isto é errado e sobretudo burro.

O proibido é especificado em lei porque a lei apenas e tão somente disciplina a vida em sociedade. Há que se entender que a lei, qualquer lei foi feita PELO homem PARA o homem e em alguma duvida, em alguma disputa, é fundamental se levar isto em consideração. O julgamento moral da lei tem que necessariamente levar em consideração o bem estar do homem como elemento fundamental. E isso é possível haja visto que quem tem a palavra final nas aplicações das lei são os juízes. São eles que ditam sentenças. E ao ditar uma sentença necessariamente o bem estar do homem, do individuo tem que ser o elemento fundamental. Não a lei, mas o homem.

É um conceito simples mas complicado de aceitar. E isso porque somos presos a conceitos dogmáticos e conservadores da nossa própria moralidade e esquecemos que somos apenas uma parte de um conjunto de seres humanos que tem direitos também.

 

Eu não devo almejar fazer o certo e pautar as minhas ações pragmáticas neste modelo, por uma simples razão. O meu certo não necessariamente é o certo do outro. E para resolver este pequeno drama eu tenho que apenas e tão somente entender. Simples assim. Entender o outro. E aceitar, algo mais complicado mas igualmente fundamental.

E isso começa em casa. A minha tese é a seguinte. Se eu não consigo me relacionar bem com a minha família, com as pessoas que eu amo, como diabos eu vou conseguir me relacionar com os outros?

E não se iludam, vc vai ter que se relacionar com os outros. As comunicações modernas te empurram a vc se relacionar, virtual ou fisicamente, com os outros.

E assim como eu treino o meu corpo, treino a minha mente com diversas atividades eu também tenho que treinar a minha tolerância me relacionando com outros seres humanos.

 

Dez anos depois parece que os americanos não aprenderam nada. Continuam na sua cruzada de demonização do oposto, e lembram seus dramas, seus demônios.

Eu não homenageio os mortos. Eu celebro os vivos aqueles que precisam da minha ajuda e da minha compreensão.

Eu celebro a vida, não a morte.

Cadê os monumentos que celebram os sobreviventes das guerras? Cadê qualquer monumento que celebram a vida? Porque não existem? Não que ache monumento algo útil. Alias acho monumentos um depositório de merda de pássaros.

 

O velho lema dos fascistas do Franco era “Viva a morte”.

A dos americanos com seus memoriais imponentes, com suas cerimônias fúnebres com a importância que dão as lembranças de seus mortos é exatamente isso. Não é muito diferente no resto do mundo.

A morte não ensina nada. A vida ensina.

Não preciso que ninguém me lembre de nada. As minhas lembranças e saudades são minhas. São sentimentos individuais e eu sinto a minha maneira e não preciso que nenhuma autoridade, que nenhum governo preste homenagens as minhas lembranças. Quero que eles se esforcem em tornar a minha vida mais confortável e mais justa.

Simples assim.

 

Esses cartazes que dizem “não esqueceremos” são patéticos. Quem escreveu essa asneira, provavelmente se esquece sempre dos aniversários de seus filhos ou de seus amigos ou se esquece de sorrir e de amar seus seres queridos. Ou seja, se concentram na morte.

E quem venera a morte, educa a vingança um outro nome para a intolerância.

 

É patético ver o Bush e o Obama rezando em atos de contrição. Citando a bíblia e se emocionando com os mortos enquanto que a guerra come solta em outros lugares do mundo. Guerras que eles são responsáveis diretos. Guerras que causam mortes.  Destruições de universos particulares.

 

É o conceito do paraíso do Éden. Um lugar idílico onde não existia nada de ruim. Até a perversa e realista cobra mostrar que há um mundo além dos muros do éden.

A história não nos ensina nada. A história só nos conta uma estória.

Freud nos diz que somos reféns dos nossos instintos que por ser instinto não são previsíveis e são normalmente violentos.

A consciência que é a racionalidade das nossas emoções são o contrário dos instintos.

Precisam de treino, o treino da convivência com outros seres humanos, uma outra palavra para alma.

 

Por isso é que eu prefiro me concentrar na vida. Já terei toda a eternidade para me preocupar com a morte.

 

Anúncios
Posted in: LES BOÇALS