Como conhecemos as pessoas?

Posted on 24/09/2011

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Neste mundo moderno e falo do mundo moderno porque eu vivo nele, como se da o conhecer pessoas?

Como vc conhece as pessoas?

Como vc faz amigos?

Como vc conhece o amor de tua vida?

 

É claro que hoje existem o tuiter, o feizibuk o imeili que nos remetem a conhecer até desconhecidos completos. Mas são todos conhecimentos virtuais onde a nossa estampa física esta sujeita a nossa generosa imaginação estética.

Eventualmente ousamos e marcamos um encontro ao vivo e é ai que corre o perigo já que corremos o risco de entrar em contato com primos feios do corcunda de notre dame. Ao vivo não há fotochopi que dê jeito. A realidade é crua e se for nua pode ser um horror.

Ou podemos conhecer um bit que é a menor parte do byte, cibernético que somos todos. E posso garantir. O bit é um zero a esquerda ou à direita. Mas não passa de um.

 

Então como fazemos?

As festinhas que antes eram inocentes reuniões hoje se tornaram umas raves doidas e la encontraremos as primas da Amy Winehouse e, além disso, o alto decibel das musicas minimalistas embaralham o nosso papo e cérebro e corremos o risco de falar alguma coisa e entenderem outra. E isso pode ser problemático.

 

As praias só servem se vc morar no Rio e as praias tem uma característica geográfica. As conversas da praia que podem até ser profundas começam e acabam na praia. Elas não se aprofundam porque as distrações são imensas, fruto da economia dos atuais biquínis onde as etiquetas são maiores que as peças em si. Às vezes encontra com alguém que vc conhece da praia, vestido, e toma um susto ou simplesmente não reconhece. Na praia nos remetemos todos a uma condição pouco tempo pós Adão e Eva na nossa quase nudez. Os nossos amigos e amigas da praia são isso. Amigo de praia e muitas vezes, apesar de serem íntimos, nem sequer sabemos onde diabos eles moram.

 

Tem as colegas de trabalho mas isso da uma confusão dos diabos não na relação propriamente dita mas na pós-relação. Frequentar por obrigação o mesmo ambiente com alguém que por uma razão séria deixamos de gostar não é nada agradável. E convenhamos. Se deixamos de nos relacionar foi certamente por algo sério. Ou não.

 

Tem as primas se vc tiver uma família grande e as amigas das primas pra quem acha que casar com as primas ou namorar agride o vaticano. Mas hoje em dia ninguém é mais católico e antes que vc diga, mas eu sou, se pergunte quando foi a ultima vez que vc foi a uma missa e ouviu o sermão com atenção? Ser católico não é saber só quem é o Papa, mesmo que essa informação seja irrelevante e não adianta querer se comunicar com Deus e perguntar se o catolicismo é a religião verdadeira. Deus não tem feizibuki. Até tem mas quem lê atentamente suas observações sobre a vida é o diabo. Isso ajuda na sua estratégia do contra.

 

O que nos faz voltar a perguntar como diabos fazemos pra conhecer pessoas?

 

A natural timidez da nossa humanidade nos impede de começar a conversar com qualquer um do nada, descontraidamente. O que seria uma ação normal e humana, o conversar e estabelecer relações, se torna um tormento pela nossa enorme timidez.

E não se iludam. Ha os muito tímidos, há os tímidos e há os mentirosos que dizem que são sociáveis e nada tímidos. Mentira. Somos todos tímidos.

Às vezes viajamos e perdemos um pouco a nossa timidez ou o senso do ridículo e ousamos mais. Mas são relações passageiras, sem trocadilho.

 

E quase sempre sonhamos com as deusas que povoam a nossa imaginação e nos paqueram em poses sensuais em todas as bancas de jornal ou na tela da TV mas conhecê-las é uma obra de ficção ou fricção.

 

Às vezes esbarramos com o nosso destino ao dobrar uma esquina, por puro acaso. O acaso é um elemento forte na nossa vida e ele só é definido como algo inesperado e randômico por desconhecermos os mecanismos em que ele se manifesta. O acaso é mera desinformação, desconhecimento.

 

E no entanto, namoramos, temos paixões, transamos, alguns não tanto como gostariam, nos casamos e temos filhos. E às vezes, por uma sorte do destino ou por um acaso, temos amigos e amigas.

E é aqui onde cometemos um grave erro, a meu ver. Há uma relação que escolhemos por livre e espontânea opção. É o namoro, o relacionamento com alguém que escolhemos ou somos escolhidos seja por que razão for. E com o tempo, este relacionamento pode se tornar sério ou se tivermos medo da solidão e como resultado, nos casamos.

 

É porque escolhemos nos casar? Fora a complicação que isso pode dar no imposto de renda, há varias razões.

Em primeiro lugar vc tem que ter tesão. Isso é o primeiro sentimento. Ta bom, não é sentimento. Mas é gostoso.

O tesão é fundamental e norteia o nosso comportamento no primeiro instante apesar da Igreja e algumas religiões não levarem isso em consideração. Mesmo nós, às vezes por vergonha ou por influencia, negamos o nosso tesão. Mas ele independe de o levarmos em consideração ou não. Ele existe e é importante. Não por caso a primeira divindade das mitologias é o Eros.

 

Depois do tesão vem à paixão. Tem que ter paixão que nada tem a ver com tesão. Vc pode ter tesão pela Gisele Bundchen ou pela Beyonce (desculpe, eu só tenho tesão por mulheres) ou por qualquer dessas deusas que nos paqueram nas esquinas, e se vc alguma vez transar ou se relacionar com algumas delas, meu amigo vc certamente estará sonhando.

É pouco provável que vc tenha paixão por elas. Pode ter, mas é pouco provável. Paixão significa algo além do sexo. Significa querer ficar irracionalmente todo o tempo com essa pessoa. Querer, não ficar, que uma vez que conseguimos ficar o tempo todo, a paixão acaba.

É por isso que a terceira etapa nos relacionamentos é fundamental.

É a amizade com esta mulher especial.

E amizade é um sentimento que traz paz, bem estar, algo fundamental em qualquer relação, mas que carrega também o tesão e a paixão. A amizade molda o tesão e a paixão e os torna aceitáveis e duradouro.

Vc não se separa de nenhuma amizade. Vc não se divorcia de nenhuma amizade. A amizade resiste a tudo e ao amigo ou amiga vc perdoa tudo. Sempre. Se não perdoar não é amizade.

E quando vc consegue passar do tesão, para a paixão e constrói uma amizade vc consegui encontrar o amor.

 

Por isso que é fundamental se fazer uma simples pergunta em relação à mulher com quem estamos.

A pergunta não é se a amamos, mesmo porque nem sabemos o que isso quer dizer.

A pergunta é se gostamos dela. Gostar é fundamental.

Se gostamos de conversar com ela ou se gostamos de apenas ficar em silêncio de mãos dadas.

Se gostamos de ter saudades e se gostamos de pensar na sua companhia. Se gostamos de seu mau humor, de seu sorriso, de seu cheiro, mesmo que ruim, da sua comida, mesmo que seja ruim, se entendemos seus inúmeros problemas e suas maluquices, que não se iludam, são inerentes às mulheres. E se ela entende as nossas enormes imbecilidades que também são inerentes. Se ela consegue rir das merdas que acontecem e mais importante se conseguirem rir juntos. Se conseguem se entender e entender que são ambos dois idiotas completos com um monte de problemas e visões diferentes e mesmo assim se gostam e querem ficar juntos.

E se tivermos paciência para descobrir tudo isso poderemos ter tesão, paixão e amizade.

O amor é isso.

É só entender que a vida não é só amor. O amor na verdade é o resumo da vida.

Ele é um processo que vem com o tempo e como todos sabemos, o tempo tem seu próprio tempo.

Nos relógios falsos ele costuma parar e nos estados da nossa psique nervosa ele custa a passar.

Mas é tudo impressão.

O tempo passa independente de nossa vontade e todas as coisas acontecem independente de nosso querer.

O segredo da vida?

Eu não conto porque se contar deixa de ser segredo.

Também porque não sei.

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Posted in: MULHERES