O Barcelona e o Milan

Posted on 04/04/2012

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Vi o jogo do Barcelona e o Milan, os dois e o que eu vi foi um time determinado a ganhar e o outro a ganhar, se desse. A característica do Barcelona de tocar e tocar a bola exige muito entrosamento e entrosamento é fruto de muito treino. Ha sempre um jogador bem colocado que se oferece para o passe e há a humildade de se passar e tocar. Não se vê nenhum drible no time do Barcelona. Só o Messi e as vezes o Iniesta. A impressão que da nos jogos do Barcelona é que ele vai tocar a bola por uma eternidade e, fruto desse pragmatismo correto, irá eventualmente criar alguma jogada de gol. È puro pragmatismo. Certinho. Mas não há genialidade nesse time. Eu, pelo menos, não vejo.

O que o Barcelona faz muito bem é nunca dar campo para o time adversário. Ele não atrai nenhum time. Se coloca para atacar. O recurso de colocar a bola pra trás é apenas um recurso de abrir o jogo e se posicionar para atacar. O Pique e o Puyol não jogam em linha quando com a posse da bola, algo natural nos times brasileiros e nos outros times do planeta. Eles se posicionam para dar alternativa de ataque. Continuo achando que a única maneira de se enfrentar um time como o Barcelona é marcar encima e tocar a bola. Não dar espaço pra eles tocarem com conforto. Pressionar e isso exige muito treino. Mas exige sobretudo vontade de ganhar. De coragem.

E usar a arma do drible que desmonta o time, qualquer time, como aconteceu no gol do Milan. Um belo drible do Robinho abriu a defesa e criou o lance de perigo que resultou no gol. Coisa que o Robinho esqueceu nO Brasil. Ele hoje se diz mais responsável, joga mais pro time. Pode até ser verdade. Mas perdeu a sua melhor característica que era a imporvisação de sua loucura, do seu drible.

Pedaaaaaaaala, Robinho. A vida só tem graça com paixão.

O Milan esperava o Barcelona. Não pode. Mas marcar sob pressão, como alias faz o Barcelona, exige muito treino. E parece que o Milan não gosta de treinar. O Milan é um time bem fraquinho. Não sei aonde o Galvão Bueno viu alguma qualidade nesse time. Ou então ele viu um outro jogo. Ou estava conversando besteira com o Arnaldo. Ou ambas as coisas.

Qual a grande defesa do Valdez? Qual a jogada de perigo do Milan? Qual a tabela envolvente? Qual a jogada de qualidade de qualquer de seus jogadores? As poucas foram todas do Robinho e uma que outra do Ibra. E isso querendo ser generoso. Muito pouco para um time que se diz grande. Viver de fama não vale. Eu gostaria enormemente de ver o Barcelona enfrentar um campeonato como o Brasileiro. Não ia ter essa moleza toda. Porque convenhamos. O Barcelona, que joga bonito, tem uma enorme moleza. Não somente porque cria uma moleza com seu jogo envolvente, como os seus adversários são todos fracos. Ou não são tão bons como se acredita. Se acovardam. Como fez o Santos na final do mundial.

Uma outra observação.

O Messi que sem duvida é um belo jogador de muito talento e rapidez, joga em função do time. Ele depende de ter o Xavi, o Iniesta e o Daniel do seu lado. Depende do talento coletivo. Quando fica sozinho não se destaca tanto. Precisa jogar em um time treinado e bem treinado. Na seleção Argentina que tem bons jogadores mas nem tanto assim e nem é bem treinada, ele não se destaca tanto. O Messi é um jogador do coletivo. O Messi é a expressão máxima do lema argentino toco y me voy. E o faz magistralmente. Mas precisa ter coadjuvantes de talento do lado. E ele os tem. De muito talento.

Que o Barcelona é um belo time, isso já é sabido. Eu admiro esse time há muito tempo. Não é o meu time dos sonhos. Ja disse isso. Tem um excelente técnico. Isso também é sabido. Tira o maximo de seus jogadores e usa a inteligência como uma ferramenta poderosa. Mas eu gostaria de ver mais dribles, mais jogadas imprevisíveis, mais chutes a gol. Gostaria de ver jogadas assombrosas. E isso não é treino. È improvisação.

O Barcelona é correto. Talentoso. Certinho. Um belo time. Mas só. Não é extraordinário, capaz de jogadas surpreendentes. Possivelmente tem os melhores jogadores, que jogam coletivamente, do mundo, hoje. Mas não tem gênios. Doidos. Malucos. Nem mesmo Messi é gênio. É certinho. O mais certinho de todos. Um belíssimo jogador. Mas não é gênio.

Eu prefiro a paixão do drible, a surpresa de uma jogada inventada, a beleza de um chutaço, como o ultimo gol do Lucas. Prefiro a individualidade irresponsável que faz toda a diferença no futebol.

Prefiro a loucura do Neymar. A genialidade do Ricardinho do Volei.

Talvez eu seja de outra geração. A geração que viu gênios jogarem.

Com enorme e gostosa paixão.

Talvez.

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Posted in: FUTIBOL