A festa-Epílogo

Posted on 03/06/2012

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Essa festa deu panos pra mangas, como se diz por ai. Foi o tititi da cidade por um bom tempo mas infelizmente para  a Duquesa e vergonha do Agripino, as noticias não saíram nas elegantes e  pueris colunas sócias. Até saíram, mas o destaque maior foi nas paginas policiais dos pasquins que vendem sangue e baixarias explícitas. O Anastácio exultava e o Tomás mandava todos tomar no cu. O Kraus estava preso e havia noticias que seria deportado pra Katmandu ou algum monastério das almas pedidas nos contrafortes do Himalaia. Uma corrente assegurava que ele seria levado como lastro no submarino explorador das fossas marianas e deixado por la, tal a merda que fez. Só o Cleofantas se deu aparentemente bem. O seu cliente que agora já era ex, morreu aparentemente de um ataque cardíaco apesar de ter a sua cabeça explodido em mil pedaços. A polícia estava preocupada com outras coisas mais prementes. Como o Kraus, essa anta diabólica.

A vergonha do Agripino não foi pelos escândalos do Kraus. Ou foi só em parte. Foi mais pelos comentários nada esfuziantes sobre a sua exótica vestimenta. Ser chamado de barão do lixo ele ainda suportou mas ser classificado como um graúna da vila mimosa, ele achou demais. Também ele exagerou no gumex e sua cabeleira preta se tornou quase azul lustrosa e lhe dava realmente a aparência de uma graúna exótica. Da vila mimosa, o alegre domicilio das putas do mangue já era um pouco de exagero. E foi o Anastácio que reparou, o saudando na entrada de uma forma nada discreta na festa :

– Ihhhh, olha la…Faaaaala graúna.

O coro das acompanhantes putas do Anastácio soltando um grande iuhhhhh o reconhecendo como um dos mais fiéis clientes, deve ter contribuído, imagino eu.

Mas vamos a festa que também teve seus momentos de elegância e glamour.

A noite era suave e a lua na sua majestosa luminosidade formavam o marco perfeito para a festa dos ricos e poderosos. Era um desses dias de outono do rio onde a temperatura se torna civilizada ao contrário da intrépida trupe dos amigos do Agripino, um bando de etruscos vândalos. Uns animais.

Agripino estava já impaciente esperando na esquina da Francisco Otaviano com a praia. Kraus estava atrasado. Tinham ficado de se encontrar ali e Agripino fazia menção de entrar em todo carro que diminuía o andar, principalmente quando era alguma SVU preta e elegante, achando que o Kraus, enfim, tinha chegado. A sua exótica vestimenta lhe davam um ar de suave elegância. Na verdade parecia um travesti barato e os carros que diminuíam o andar estavam na verdade a procura de algum sexo violento e esdrúxulo. Ser enrabado por um travesti que parecia uma alegoria de escola de samba era um sonho secreto de muitos bacanas que andavam naquele sábado a noite por Copacabana.

Um taxi encostou no meio fio e Agripino ficou chateado. Teria que andar pra trás e ficar visível pro Kraus. Era uma Brasília amarela que fazia mais barulho que os fogos do réveillon. Parecia um destróier argentino das guerras das Malvinas recém torpedeado por alguma fragata inglesa. Que merda. Que situação. Aquilo não combinava com a elegância chic do Agripino, assim ele pensava.

– Akripina…..entrrrraaaaa

Caralho. Era o Kraus, impecavelmente vestido de macacão rosa justinho, echarpe rosa, maquiada que nem a madame satã e com o quepe impecável e elegantemente equilibrado na sua vasta cabeleira loura. Que porra era essa?????

– Kraus?

– As zuas ordens…ker que saia e abrra o porta??

– Kraus….tu ta de sacanagem……

– Entrraa atrás que na frente tem cagada…

Agripino estava paralisado. Não acreditava naquilo. Aquilo não era um carro. Era um pesadelo ambulante, o pior dos desastres jamais pensado. Como merda ele ia chegar naquela carroça amarela fumegante e peidando, na festa? Nem por um caralho.

Pensava como faria pra chegar de forma mais elegante, a festa. Era longe e andar o faria suar e possivelmente causaria um estrago no seu gumex tão diligentemente espalhado pela cabeleira preta. O que fazer? Esse merda de anta capivara do Kraus insistia e fazia escândalos pra ele entrar naquela banheira amarela pronta a explodir. Uma fina chuva começou a cair e ameaçava fazer um estrago no seu esplendoroso gumex, o decidiu. Tinha que embarcar naquela merda. Não tinha jeito.

– Oh Kraus… Eu te disse que era uma festa de classe, não uma putaria na zona. Que porra de roupa é essa? E que merda de caro é este? Tu é taxista?

– Zer ultima mhoda de motarrista de luchooo….deichar comigha…Carra robada…..

– O queeeeee? Puta que pariu…o único que faltava é sermos presos e eu ter que passar uma noite com uma rainha diaba….Escuta aqui seu merda, tu vai me deixar um quarteirão antes. Nem por um caralho me deixa na porta. Ouviu, sua bichona satanesca..

– Deichar comigha…

Claro que o Kraus entrou na entrada principal do imponente prédio causando um furor e espanto entre os convivas que chegavam. Os seguranças ameaçaram tirar suas armas e porretes prontos a enfrentar a invasão de algum bárbaro imbecil.

A fumaça e a peidaria da maquina infernal deixaram todos estupefatos e o Kraus em um movimento ágil pro seu tamanho, pulou fora do carro antes de sua parada completa e foi abrir a porta do atontado Agripino que estava puto dentro das calças mas não teve como reagir.

A aparição daquela figura dantesca, enorme, vestida que nem um transatlântico de luxo cheio de purpurina e serpentina, deixou a todos imóveis e perplexos. Ninguém sabia o que fazer com aquele situação. Parecia que um  óvni tinha descido naquele pedaço de Ipanema. E que o ET era um boiola enorme.

O maitre de cerimônia, impávido sem se alterar, pediu gentilmente ao Agripino, cheio de salamaleques

– Seu convite, excelência.

O cara era um craque.

– Porra caralho, cadê essa merda de convite? Esqueci, meu chapa…

– Sinto muito excelência. Por favor peça ao seu motorista retirar este veículo da entrada.

A porra da Brasília amarela teve que ser contida pelos auxiliares do maitre já que a besta do Kraus tinha pulado antes da completa parada e estavam contendo o veiculo, nas palavras elegante e sóbrias do maitre, na base do muque.

– Akripina ser convidada de lucho… non prezizar convita…

– Sinto muito excelência, mas não podemos abrir exceções.

Delicadamente com uma mão empurrou com muita elegância o Agripino porta afora e segurou no braço do Kraus.

Grave erro.

Kraus soltou um gritinho e ato seguinte pegou o maitre pelos fundilhos e como se joga um travesseiro de pluma, arremessou o maitre e toda sua elegância e imponência la pelos lados da Praia, levando com ele alguns dos auxiliares que tinham vindo ao seu resgate. A imponente porta de cristal era um empecilho momentâneo. Kraus desferiu com muita graça como em um pas de deux, um pontapé certeiro na enorme porta do elegante prédio e o barulho do espatifamento da enorme estrutura assustou até a favela do Vidigal, la ao longe.

Antes que a Rota, a Swat, o batalhão de choque o mossad e os Navy seals dessem o ar de sua graça e iniciassem uma guerra nuclear, a Duquesa prontamente entrou em ação. Na base do desespero, pegou o Agripino pelo braço e o introduziu no elevador social entre os seguranças assustados que tinham vindo das redondezas diante da enorme confusão. Nessa imbróglio, o Kraus entrou também debaixo de sopapos e tapas proferidos pelo Agripino indignado por tamanha falta de compostura da gigantesca e nada sociável figura.

– Seu boiola peludo. Sua bosta energumena. Seu viado capitalista. Que porra foi essa, seu merdalhão de polichinelo????

Tu vai descer e pedir desculpa a todos e consertar a merda toda que tu fez, sua anta viada do Himalaia….

– Mas Kraus estarrr com fome.

– Deixa ele comigo Agripino. Não acho conveniente ele descer. Não deve ser o melhor dos mundos neste momento. Eu levo ele pra cozinha e dou alguma coisa pra comer. Vc vai se portar bem, não é Kraus?

Dona Creusa tinha jeito com o Kraus. Sabia tratar esse terremoto ambulante.

– Zim. Eu me portar direita..me diskulpa minha rrrrainha…

E caiu em um choro convulsivo que impressionou ate o Agripino, fulo da vida e borrou toda a sua pesada maquiagem, fazendo-o parecer uma versão apavorante do Alice Cooper.

Anastácio já estava na festa e não tinha participado dessa baixaria. Estava impecável no seu smoking Giorgio Armani comprado no camelódromo do centro e tinha entrado sem problema, de posse do convite do Agripino. Destoava um pouco da sua elegância as quatro putas que o acompanhavam. As vestimentas destas alegres senhoritas não era das mais adequadas para uma festa formal como sugeria o convite, mas como eram gostosas pra caralho e deixavam transparecer pedaços de coxas e seios exuberantes, a roupa era o que menos todos notavam. Mulher gostosa entra em qualquer lugar. E queiram ou não, puta alegra qualquer ambiente. Elas são o centro de atenções no meio de um monte de babões. São alegres, efusivas, gostosas, sensuais e quando começa o arrasta pé, elas rebolam e dançam tão bem e com tanta graça que faz padre largar batina. Todos querem ter o prazer de suas sensuais companhia. E, claro, provocam o ciúme incontido das patroas, duquesas e que mais. Depois ficam todos horrorizados e comentam depreciativamente a presença daquela baixaria toda, mas na hora são um colírio pros olhos sedentos e avaros dos devassos barões da velha guarda.

Os pratos começaram a ser servidos em uma elegante e preciso balé de movimentos onde pratos eram retirados vazios e colocados outros suavemente ordenados com bananas sem descascar, esfuziantes jilós, abacaxis inteiros e enormes  misturados a feijões e arroz e farofas e….

Perai….que porra era essa? Isso la é prato que se apresente?

O Agripino teve uma ligeira desconfiança do que acontecia e o frio na espinha o deixou paralisado. Kraus, aquele boiola terrorista, estava aprontando na cozinha e dando seus pitacos na construção dos pratos. Pitacos era força de expressão. Aquela besta antártica devia era estar forçando a barra e organizando os pratos na base de suas enorme estupidez.

A Duquesa se deu conta do desastre eminente e discretamente adentrou a toca da besta. A cozinha. Aquilo era um pandemônio. De um lado os chefs, garçons, ajudantes, copeiras, sub chefes, todos acuados e de cabelos em pé, apavorados e do outro lado o Kraus, a imponente bicha louca, fazendo uma merda dos diabos, montando pratos  e gritando ordens que ninguém entendia porra nenhuma. Deu a louca na bicha. Tinham lhe oferecido uma caninha pra relaxar e oferecer caninha ao Kraus é a mesma coisa que oferecer comida aos gremlins, aquelas horrendas criaturas que criam um pandemônio dos diabos quando alimentados. Kraus era um gremlin rosa gigante quando bebia. Uma merda.

A Duquesa pacientemente o acalmou e o levou a um canto da enorme varanda, meio deserta aquela hora quando todos estavam sentados as mesas. Ninguém sabe o que a Duquesa lhe falou mas por obra do espírito santo o Kraus ficou imóvel, parado, fitando o horizonte, sem mexer um único músculo no restante do jantar. Parecia um estranho e enorme abajur multicolorido ornamentando a grande varanda.

Rapidamente a ordem voltou a cozinha e o caos organizado apresentou os pratos corretos que começaram a desfilar no clássico balé dos serviçais entre as mesas elegantes dos comensais. E vieram as lagostas, as cascatas de camarões, os patê de foie gras trufados, o suave aroma dos molhos que se esparramavam nos pratos elegantes, os montículos de caviar beluga , acompanhados dos suaves e soberbos vinhos de todo tipo. A festa entrava nos seus eixos. Kraus domesticado, por enquanto, Agripino entretendo seus colegas de mesa com suas inquietações filosóficas que ninguém tava minimamente interessados e o Cleofantas procurando sua vitima, com calma, que ele queria beber e comer do melhor antes do extermínio. E ainda tinha que extrair o seu armamento de suas entranhas anais e esse processo era doloroso. Melhor esperar um pouco.

Tudo regido pelas mãos competentes da Duquesa que mantinha um olho atento a tudo e o outro se esgueirava fitando a figura do Kraus que se mantinha imóvel, imaginado o horizonte.

Agripino bebia e comia com gosto e prazer e já estava totalmente relaxado.

– A verdade é uma antiga discussão na filosofia e há literatura de sobra sobre as suas vertentes na metafísica, na lógica e na epistemologia. Nietzsche dizia que a verdade era um ponto de vista porque não se podia chegar a uma definição sobre esta certeza. Já Descartes dizia que a certeza é o critério da verdade. Por exemplo, eu digo com toda certeza que a senhora, ou será senhorita, é de uma beleza impar…

Uma balzaquiana com alguns kilos a mais e miolos de menos se encantava com a verve do Agripino. Já estava naquela fase onde todos são lindos. Depois vem a fase do choro compulsivo que acaba na amnésia.

Tudo corria as mil maravilhas. A festa era um sucesso e a Duquesa exultava. O Kraus tinha sumido de seu estado contemplativo.

E o Tomás?

Nem apareceu, graças aos deuses do olimpo. O que aconteceu foi que ele foi a festa mas entrou na festa errada. Se equivocou de endereço e entrou em uma festa de surfista e malucos belezas que comemoravam a ultima safra da cannabis sativa exultante recém chegada da Holanda.

– E ai broder? Belê, belê? Vai um tapa?

– Broder é a mãe Joana. E tapa é o caralho. Te dou é uma porrada.

Tomás era valente na presença de sua doce morena de olhos verdes e lábios carnudos, exuberante na sua quase e sensual nudez cheia de curvas e tesão.

Depois ele aprendeu que broder era uma saudação gentil de irmão daquela estranha tribo e tapa era um sorvo de excelência na tal cannabis, que alias ele adorou. Deu tanto tapa que ficou doidão e começou a recitar poesias escuras e soturnas sobre tudo e sobre todos e declarou seu Amro a toda a humanidade. A cannabis obra de formas estranhas em espíritos belicosos.

A sua doce morena de olhos verdes e lábios carnudos, também ficou doidona. Ela não era chegada a fumar nada e fazia a linha mais saudável exalando saúde por todos os seus magníficos poros. Mas não tinha resistido a uns bicoitos oferecidos que eram deliciosos, feitos a base de um diferente tipo de cannabis. La era tudo a base de cannabis, algumas sativa outras nem tanto.  Fez um sensacional strip tease para deleites dos rapeizes, todos doidões e delirantes mas ninguém tinha condição física de levantar alguma coisa e ficaram todos somente na suave contemplação, ora olhando aquele monumento, ora ouvindo as poesias do Tomás que chorava compulsivamente. Vá entender.

A festa era muito doida e o doce e enjoativo aroma da cannabis indignou os vizinhos e os deixou todos doidões. Um que tava resfriado e com o nariz tampado, consegui chamar os representantes da lei e assim chegaram a essa festa os “Ome” distribuindo bordoada a torto e a direito na sua proverbial eficiência. Foram passear nos camburões e conduzidos ao xilindró, curar a ressaca. Menos o Tomás e sua musa adorada que estavam na varanda, fazendo amor quando da invasão e passaram despercebidos entre gritos e sussurros.

Acabaram a madrugada comendo cachorro quente com todos os ingredientes desconhecidos encima, para aplacar a forte larica que se manifestava.

 

Enquanto isso, em um endereço nobre da Vieira Souto, a festa se encaminhava para o seu apoteótico final. Os licores e champanhes  servidas com generosidade se juntavam aos suaves e enormes charutos acendidos que saudavam o belo jantar e provocavam conversas alegres e engraçadas ornamentando os salões. Mulheres desfilavam sensualidade e os homens recitavam doces propostas nos ouvidos ansiosos de suas usas escolhidas que prometiam sexo e alguma volúpia, muito mais uma intenção que uma futura realidade. Discretas bandejas com misteriosas pílulas azuis tentavam tornar a realidade mais dura. O doce aroma dos perfumes e dos charutos se misturava ao forte odor a merda.

A merda? Como? O que estava acontecendo?

Agripino interrompeu seus discurso particular nos ouvidos de uma balzaquiana deslumbrada e exuberante que se encantava com as filosofias proferidas e franziu o cenho.

– O emissário se rompeu?

– Ahahahahahah, vc é ótimo Adamastor

– Agripino minha senhora, a seu inteiro dispor. È Agripino….

– Ahahahahaha que ótimo….mas que cheiro a merda é esse?

A dama em questão não era muito fina, pelo visto.

– Vamos a varanda minha doce dama das camélias

– Ahahahahahaha que maravilha….vc é ótimo Ascênsio…

A dama estava mais bêbada que um gambá.

Fugindo do cheiro nauseabundo que começava a tomar conta do vasto ambiente, Agripino procurou com seu olhar de lince míope o Anastácio, único digno e capaz de provocar tal fedor com seus peidos inconvenientes e fora de propósito.

– Que canalha…

– Aiiiiii que emoção….vc é um canalha também, Argentino….

E a dama do lotação que a esta altura tinha perdido toda compostura ofereceu seu vasto peitoril meio decadente ao perplexo Agripino que ainda procurava pelo Anastácio.

O cheiro de merda tinha se tornado uma catástrofe. Era algo impressionante e parecia que todos os excrementos do mundo batiam a porta.

Exatamente nesse momento pela porta do banheiro saiu lépido e faqueiro o Kraus, com um ar de satisfação de dever cumprido e seus suspensórios arriados cheios de merda. Uma senhora que ousou espiar o que havia do outro lado do citado banheiro soltou um grito horrendo e desmaiou e o seu marido que a acudiu, veio imprudentemente com o seu formoso e caro charuto, acesso. O resultado foi uma explosão digna de Hiroshima, lançando merda e demais convidados em todas a direções.

Somente depois se descobriu, com a contração do CSI americano que fez uma diligente e complicada levantamentos dos dados, o motivo da explosão. O Kraus pelo visto comeu de tudo e seu delicado estomago não resistiu a mistura explosiva de tantos ingredientes estranhos. O resultado foi uma combustão digna do krakatoa que resultou em um deposito volumoso de boa merda no vaso que não aguentou tal derrame e entupiu, com tal vazão grandiosa. Era tão impressionante que alguém jurou que o volume ali depositado, ganhou vida e atacou a todos. Mas isso é lenda. Foi a mistura dos gases fétidos que causou a explosão e que mandou o Kraus as fossas marianas no pacífico sul.

Anastácio que prudentemente tinha se retirado mais cedo com uma herdeira de plantações de trufas nas aforas de Paris e que além disso dava mais que chuchu na serra e na planície, percebeu a entrada do Kraus com caras de poucos amigos no citado local do crime, o banheiro.

– Essa besta não vai lavar a mão.. Allons y, minha godess. Ça va donner shit.

Anastácio era canalha, não poliglota.

E la foi ele arrastando gentilmente a sua potranca muros afora. As suas putas já estavam entretidas nas mãos, braços e demais partes do corpo de seus barões devassos.

Aquilo ia dar merda e não é que deu?

 

O evento não teve um destaque nos jornais, já que a importante lista dos convivas não admitia tamanha confissão. Mas as poucas testemunhas da madrugada juram ter visto um desfile de gente elegantemente trajados e  cagados da cabeça aos pés perambulando pelas calçadas adormecidas da Vieira Souto . Pelo menos a cor era algo elegante, um marrom suave.

 

Agripino foi visto levando a balzaquiana pelos braços no meio de efusivas gargalhadas, também todos cagados.

– Ai que divino… fogos de artifício…. vc é tão original Pafuncio…

– Pafuncio é a puta que o pariu, … è Agripino. AGRIPINOOOOOO, sua vaca.

Agripino tava puto.

 

E assim cheios de merda, foram todos pra casa.

O Kraus ninguém sabe aonde foi parar. Ainda bem mas dizem que tomou antes de desparecer boas doses de enterovioforme e algumas goiabada cascão para disciplinar a correnteza de suas entranhas.

A Duquesa resolveu dar uma sumida e parece que aceitou organizar uma festa de uma tribo no deserto de Gobi, onde ninguém a conhecia.

O Anastácio esta comendo a sua dose de trufas mesmo sem saber que merda é aquela coisa preta. A herdeira ele também comeu.

As suas putas se deram todas bem. Voltaram a vila mimosa e seguiram suas vidas longe dos barões com suas múltiplas mãos.

O Cleofantas nem precisou exercitar o seu lado Papillon. O cavalheiro que primeiro acudiu a esposa desmaiada com o charuto acesso na boca e que foi o responsável pela explosão, morreu na hora. Era o seu alvo. Dizem que levou um coco do Kraus, bem avantajado e mais solido nas fuças, mas isso não foi confirmado

– Feliz coincidência, pensou o Cleofantas.

 

Na imponente cobertura da Vieira Souto, tudo voltava ao normal.

Em toda festa tem alguma merda.

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