Uma opinião ou uma solução?

Posted on 05/06/2012

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John Wilbruth Stigman III é professor há mais de 50 anos e um emérito catedrático de ciências sócias e economia em Harvard onde suas classes são das mais assíduas e famosas. É a maior voz conservadora do sistema e publicou mais de 50 livros sobre economia. Colunista do NYT, foi assessor especial do Governo Reagan e Embaixador dos Estados Unidos na Inglaterra de Thatcher onde era presença assídua e querida no Downing Street. Hoje ainda presta assessoria a bancos de Wall Street e foi cotado para suceder o lendário Allan Greenspan no Federal Reerve, mas, dizem, recusou por preferir dar aulas e palestras sobre o que considera a sua paixão: a economia. Foi premio Nobel de economia em 93 por causa de seus estudos de economia aplicada nos países emergentes e suas consequências sistêmicas nas economias de mercado e é autor da famosa teoria dos riscos sistêmicos e endêmicos do sistema financeiro. É uma das pessoas mais inteligentes e respeitadas no meio acadêmico e um grande teórico das políticas neoliberais. Foi capa da prestigiosa The Economist onde deu uma inédita e longa  entrevista sobre as mazelas das crises econômicas que afligiram o mundo recentemente.

Foi considerado pela revista Times um dos dez homens mais influentes do mundo e é o sindico do prédio onde mora, em Boston, um dado pouco significativo mas que consta do seu currículo.

Diz o John Wilbruth Stigman III.

– É um erro se atribuir as políticas sociais dos governos europeus a causa da crise. A crise tem razões muito mais profundas e é parte inerente do sistema de vida e política dos países que formam o bloco do Euro. O euro foi criado, devemos entender, por uma necessidade puramente financeira. Mais que necessidade, foi um projeto monetário. Nada tinha a ver com países e filosofias de governo. Era uma forma pragmática de enfrentar o mercado em ascensão da China e o enorme poderio americano. Financeiramente, a Europa era fragmentada e dependente do dólar americano e com isso as suas políticas econômicas careciam de força e poder de barganha. O projeto do Euro foi criar no papel uma economia forte e unida que nada tinha a ver com os países que a compunham.

Portanto a crise quando atinge o Euro nada tem a ver com os países que o compõe. È uma crise puramente financeira e como tal deve ser tratada. Devemos entender que a formula neoliberal, muitas vezes mal entendida e que eu considero como a mais perfeita formula de economia aplicada em todos os mercados econômicos foi vilipendiada nas suas mais queridas e sacrossantas estruturas. Economia de mercado, uma pratica que eu sempre defendi, nada tem a ver com estripulias financeiras fabricadas. Economia de mercado tem a ver com forças econômicas sobre produção e vendas e como o resultado financeiro destas simples operações que se movimentam na escala financeira. Todo sistema produtivo usa o sistema financeiro como uma alavanca sistêmica para o seu desenvolvimento e diria eu para seu perfeito funcionamento. Não devemos confundir sistema capitalista com sistema financeiro puro. O sistema capitalista que eu sempre defendi e acho que é o melhor sistema econômico do planeta, tem a ver com a exploração, perdão, me expressei mal, com a exploração, pensando bem é isso mesmo, da força de trabalho também conhecido como classe trabalhadora. A sua consequência, a consequência destes trabalhos, é a renda, a riqueza, nem sempre distribuída equitativamente. Alias nunca distribuída justamente. E nem poderia ser. Isto é uma condição inerente ao sistema. È assim que tem que ser. Quem arrisca é que tem que colher os melhores frutos e digo quem arrisca aqui em termos econômicos. Portanto a crise que vemos hoje nada tem a ver com os sistemas produtivos ou com as bases do sistema capitalista. Tem  a ver com a ganância e irresponsabilidade dos sistemas financeiros que esqueceram sua principal perna de sustentação que é o sistema produtivo. E este não deixou de existir mas sofre as consequências irreais e irresponsáveis do andar de cima. A solução? Não há solução simples em economia. Os países que compõe o bloco do Euro perderam a sua capacidade de gerir as suas economias. A gerencia econômica dos países que compõe o Euro é hoje meramente financeira. Deve se prestar mais atenção no sistema produtivo e deve se implementar políticas de incentivos aos sistemas produtivos para que o sistema capitalista volte a funcionar a contento, explorando e gerando riquezas, mesmo que não para todos. E quem tem que incentivar esta produção é o sistema financeiro, como sempre fez. Ele deve voltar a se basear, o sistema financeiro, digo, no sistema produtivo. Vc tem lucro, vc tem opulência financeira, vc tem ganhos estratosféricos se vc investe  no sistema produtivo e mais importante, se vc faz do sistema produtivo a razão para estes ganhos estratosféricos. Em economia vc nunca pode simplesmente se concentrar no sistema financeiro. Ele não pode ser o gerador de nenhum ganho sozinho. Se torna um circulo vicioso quando isso acontece e teremos o clássico cachorro mordendo o próprio rabo e eventualmente o comendo inteiro. Cria-se um sistema antropofágico. É isso que acontece na atual crise. A atual crise é uma crise puramente financeira que tem suas consequências no sistema produtivo mas que não foi causada pelo sistema produtivo. Foi causada por ele mesmo, o sistema antropofágico financeiro. A solução é consertar o sistema financeiro. Não culpar o sistema produtivo. Não praticar regras que aprisionem o sistema produtivo e não punir as pessoas que fazem parte deste sistema produtivo. Porque se assim for feito e como assim indica que estão fazendo, vc vai destruir o sistema produtivo que sempre foi a base do sistema capitalista e morremos todos afogados em papeis inúteis emitidos pelo sistema financeiro.

É a pratica comum nos sistemas produtivos capitalista que há que se manter a força de trabalho pacificada. Não se devem dar elementos para que eles se organizem e se rebelem. Neste momento, o arrocho tem que ser apenas financeiro sem nenhuma consequência palpável no sistema produtivo. Isso é o be-a-ba nos modernos sistemas capitalistas. Aprendemos muito com as revoltas do passado e parece que criamos um monstro sem controle que é o sistema financeiro que pensa que pode agir sozinho sem consequências. È hora que eles também sofram e que eles também aprendam que a base de tudo é o sistema produtivo. A única função do sistema produtivo na vida é trabalhar e produzir e a única função do sistema financeiro é financiar este trabalho. Ele não pode nunca, como esta sendo agora, ser o fim nele mesmo. Ele existe porque existe o sistema produtivo. Assim de simples. Vamos domesticar este dragão para que possamos continuar usufruindo das enormes benesses do sistema produtivo.

È errado o que estão fazendo. O problema não é o arrocho. O problema é o arrocho nos benefícios. Não há nunca que se culpar os benefícios. Não se pune benefícios do sistema produtivo. Eles são o incentivo e o combustível da força de trabalho que sempre foram a base do nosso querido sistema neoliberal capitalista. Culpem os emissores irresponsáveis do sistema financeiro. Se há alguém que tem que pagar a conta, são eles.

Entendamos o que a história nos ensina. No sistema há que se dar benefícios para evitar que se dê dividendos. Se não houver benefícios por menores que sejam, eles vão correr atrás dos dividendos. Vcs viram a minha carteira por ai?

 

Nota do autor: John Wilbruth Stigman III  não existe. A carteira dele esta comigo.

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Posted in: LES BOÇALS