A tragédia da Grécia escrita pelo Euro

Posted on 21/06/2012

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Tomás chegou que nem o dragão dos irmãos Grimm. Soltando fogo pelas ventas.

– Essa merda do rio mais vinte devia começar a proibir essas merdas de sirenes. Isso ai é poluição ambiental, porra. Nem dormir posso mais. Parece que a merda de uma ambulância ta entrando no meu quarto. E eu já sou meio cardíaco e isso me apavora. Parece a morte chegando. Vão se fuder eles todos. Silencio, porra. Faz como era antigamente e manda os bons costumes. Vai abrindo passagem pedindo licença, desculpe, olha o doente passando, essa coisas. Na surdina sem atrapalhar o sono dos justos, caralho. E aproveita e manda arrancar todas as buzinas dos carros.

Pra que serve afinal essa merda? È um instrumento pra vc exercer a sua falta de educação. Cuspir no chão, buzinar e soltar peido no elevador devia ser punido com doze chibatadas na bunda.

– Tomás, as sirenes as vezes são das comitivas

– Bota essas comitivas todos em ônibus e deixa ficar no engarrafamento. Vão discutir, resolver, cantar pagodes e comer lanchinhos, numa boa. Não pode é me dar susto, porra. Qual a pressa, afinal? Relaxa meu broder. Tu ta no rio.

O Anastácio também estava indignado.

– Pois é. E deram uma geral nos puteiros da zona. Invadiram e prenderam todo mundo. Foi o maior desfile de roupão que esta cidade já viu. Foram todos a delegacia prestar declaração. Que declaração, meu chapa? Falar o que porra? Rezando é que não tavam. Tava todo mundo fudendo em paz. Nem sacanagem podemos mais fazer. Isso é sacanagem.

– Te prenderam, Anastácio?

– Que nada. Eu quando vou a esses lugares, vou com a minha carteirinha falsa de meganha. Ainda ganhei um troco liberando uma rapaziada. Olha o Agripino chegando. Esse tava de roupão.

– Agripino, meu amigo priapico. Me explica uma coisa. Ando lendo merdas sobre a Grécia. Não que me interesse muito o que acontece por aquelas bandas mas é que tenho uma namorada grega e tenho medo de investir nos seus fundos.

– Meu caro Tomás, fundos são sempre ótimos. Paul Krugman ganhou o premio Nobel de economia. Hoje é um dos mais respeitados editorialista do New York Times. O seu pensamento é considerado brilhante e suas observações tanto sobre os problemas econômicos do seu pais, os estados unidos como da Europa e do resto do mundo são “accurate”, para usar uma expressão inglesa. Tem um bom texto e é muito bem informado.È muito respeitado na comunidade econômica e política tantos nos estados unidos como na Europa e por aqui também.

– O que tem a ver esse kru com a estória?

– Em uma recente critica sobre o problema da Grécia ele abordou vários problemas que na verdade se resumem em um só. O problema da Grécia é o Euro.

– Caralho eu disse isso. E disse antes dele publicar. Não sei se antes dele pensar. Provavelmente não mas eu pensei no mínimo igual a ele e contra muitos dos babacas neoliberais que diziam que a crise na Grécia se deve a irresponsabilidade dos gregos e seus planos socialistas.

– Nada disso. Claro que os gregos são irresponsáveis. Mas os alemães e Franceses são prepotentes e entre os dois o que causa mais mal são os prepotentes. Porque se acham Deus. O euro criou uma merda federal. Foi uma solução de uns prepotentes economistas que queriam resolver uma agenda econômica e financeira onde tudo funcionaria as mil maravilhas e criaram com uma varinha de condão uma união monetária ideal. Se esqueceram das pessoas, dos países e de suas políticas diferentes. Se esqueceram que na vida real fora da economia, as pessoas não somente tem ideias e pensamentos diferentes como vivem e praticam a vida de formas diferentes. Caralho. É tão simples. O Paul, vamos chama-lo intimamente, pelo menos eu, pergunta porque a zona do dólar, ou seja os estados unidos não tem nem de longe os problemas da zona euro? Ora porque tem um governo central que toma conta de todos. Quando há um problema com um dos estados, que tem seus equivalentes teóricos nos países da zona euro, (isso na cabeça de merda desses economistas mitômanos) o governo central resolve e soluciona a crise injetando dólares e pagando as contas. Mas como governo central, eles tem ingerência e mando nos governos estaduais. Resolvem mas cobram e intervém. São um país. HÁ um governo central.

– E a zona Euro?

– Aquilo é uma zona. Só tem unidade financeira. Na verdade a unidade é monetária. E só. OS controles fiscais e as políticas fiscais são lindas no papel e como vimos e estamos vendo, não funcionam na vida real. E sabe porque?

– Porque?

– Porque quando vc planeja e pratica políticas de qualquer escopo vc leva em consideração o teu país. Europa não é país. E vc leva em consideração o teu país porque a cobrança e da tua sociedade. Aqui embaixo bem na tua porta. Isso faz toda a diferença.

– E esse papo dos gastos sociais, das benesses dos estados, das aposentadorias gordas, da corrupção e da maquiagem dos balanços.

– Vamos por parte. A corrupção existe e é grande e tem sido assim há anos. È um câncer que precisa ser tratado. Mas corrupção é um problema ético que tem a sua consequência nas finanças de um país, é evidente. Vc não trata corrupção com austeridade. Vc trata corrupção com educação e valorização da sociedade como agrupamento de seres humanos.

Maquiagens de balanço é o catso. Qualquer contador medíocre sabe ler um balanço e sabe quando aquilo é uma montagem. Desde que seja medianamente bem informado. Maquiagem de balanços tem a ver com corrupção. Aquilo passou batido porque teve neguinho que levou algum. Os gastos sociais, as benesses do estado e as aposentadorias há um exagero escroto e se da uma importância que não existe. Os gastos sociais gregos são menores, proporcionalmente aos gastos sociais por exemplo dos alemães e dos suecos, dois países que não tem problema como a Grécia. Antes do Euro, a Grécia não era um paraíso, como diz o Paulinho, agora já é Paulinho, mas tinha suas contas resolvidas. Pagava suas contas mais ou menos. Produzia com turismo, exportações e embarcações e importava seus bens e estava mais ou menos equilibrado. Tinha desemprego mas não catastrófico como agora. E a corrupção existia desde que o Diógenes saia as ruas com uma lanterna procurando um homem.

– Era gay?

– O problema grego era e ainda é político. E ai veio o euro, como uma salvação e foi uma zona, no mau sentido. Os bancos começaram a gastança e achavam que era um excelente negócio investir em papeis de bancos gregos, que sempre foram uma bosta. Alavancaram uma porrada de grana fictícia e na hora do vamos ver se fuderam. Apresentavam nas seus balaços ativos, lucros e realizações que na verdade eram fabricadas por eles. Estas bostas não resiste a qualquer análise séria. Como diz aquele velho contador, balanço é creditar o que se debita e debitar o que se credita. Só há um porém. Creditos tem que existir e débitos também. Inventar, não pode. Mas isso todo mundo ta acerca de saber e a conta quem paga sãos todos. Fudeu geral. Porque não resolveram a política. Político safado com grana é dinamite pura.

– Que nem o filho do Eike. Bateu com o seu Mercedes a uns 400 por hora em um ciclista que por la andava e como castigo recebeu a Ferrari pra andar por ai. Isso que é castigo.

– A política passou batido pelos gênios do euro. Soltaram grana e estamos conversados e fizeram isso durante anos. Porque em vez de simplesmente soltar grana não investiram diretamente nas indústrias e no comércio? Porque dar aos bancos? Sabe porque? Porque dar diretamente ao sistema produtivo é política e isso eles não entendem. Não sabem dialogar. É grego pra eles. Criaram o euro e acham que isso é o santo gral. O euro só funciona em sistemas políticos organizados que usam a grana para investir nos seus sistemas produtivos. O Euro não organiza merda nenhuma. Quem organiza é cada país. Entender isso é fundamental. Coisa que o banco central europeu nem desconfia que exista. Até sabe mas prepotentes como são, não admitem.

– Mas não é só a Grécia que ta fudida.

– Não é diferente do que esta acontecendo com a Espanha e com a Itália. A bolha habitacional da Espanha foi pras picas por causa do Euro. Muita grana entrando e pensaram que só o Euro resolveria tudo. Não resolveu. As bolhas do sistema habitacional na Espanha tinha um ciclo de dois anos. Dois anos de fartura e dois anos de caídas. Era assim há décadas. E de repente veio o Euro com a sua promessa de bonanza e não era o seriado americano. E a bolha cresceu por sete anos ininterruptos. O credito era mole e em vez de organizar a gastança acreditaram que o Euro era uma zona como o nome indica e deu no que deu. Fizeram prédios e casas para a população da china e não investiram suficientemente nas indústrias e serviços. E quando a cagada começou a feder, ou seja, quando viram que não tinha gente, um eufemismo para mercado, que comprasse e pagasse essa porrada de prédios, casas, pirâmides e que mais. E jogam a culpa nos culpados de sempre. O mordomo. Só que o mordomo da vez são os imigrantes, os gastos sociais com aposentadorias e os seguro salários da população carente. Esses merdas que sempre ajudaram o sistema produtivo. E os bancos e clientes irresponsáveis, os grandes culpados dessa merda toda, foram deixados de lado. Nada de errado ai, diziam. Não era preciso ser premio Nobel para ver onde estava a merda. De novo os gastos sociais da Espanha são menores que os gastos sociais dos alemães. A causa do desastre desses países não é só deles. A principal causa esta mais ao norte, na cabeça dos que criaram esse monstro chamado euro. Se o banco central europeu não entender esta merda, meu amigo, vai ser uma merda maior ainda. Um atoleiro gigantesco. Quem diz isso sou eu, um merda, e o premio Nobel de economia, o Paulinho.

– Que isso, Agripino. Tu não é tão merda assim. Aquele delegado que te pegou com roupão não entende nada.

– Achar que essa coalizão chumbrega na Grécia vai resolver alguma merda tão enganados. Em economia, essa é uma praxe, os problemas se resolvem dentro de cada país. Cada um sabe aonde a cueca aperta. Não pode os outros tentarem impor modelos de austeridade e formas de viver a povos que estes outros não entendem. Não é assim que funciona e nós sabemos muito bem isso. Cada vez que aceitamos as babaquices do FMI que resolvia as políticas dos outros países em escritórios cheirosos e climatizados longe da merda, dava merda. Não é a Alemanha ou a França que tem que dizer quanto os aposentados gregos tem que ganhar. E países ainda existem. O Euro pretendeu simplesmente não levar em consideração esta verdade. A moeda pode ser única mas os países são diferentes. E isso faz toda a diferença. È por isso que vc não pode de jeito nenhum sob nenhuma circunstancia abrir mão de tua moeda. Ela representa o que vc produz, o que vc é, o que vc faz. Moedas são apenas e tão somente símbolos do que vc produz. E quem determina esse símbolo, quem da valor a ele é o país, não o banco central europeu que não entende merda nenhuma de política. O maior medo do pessoal na eventual saída da Grécia do euro é que se saírem, meus amigos, aqueles pepinos de papeis dos bancos gregos que originalmente não valiam merda nenhuma mas passaram a valer porque a banca inventou que eles valiam, vão passar ao seu estado original. Não vão valer merda nenhuma. E perder dinheiro eles odeiam. Fuder vidas alheias, tudo bem. Mas perder a bufunfa, de jeito nenhum.

– è…. acho que a minha Afrodite vai dançar.

– Pensa bem. Se a Grécia sair do euro, mais fudidos do que estão não vão ficar. E os bancos vão ter que injetar grana na Grécia. Para evitar uma merda geral e perder o que eles já injetaram. Vão injetar de qualquer jeito. Cabe ao governo grego pegar essa grana e começar a investir na produção, coisa que até agora não fizeram. O que eu sei é o seguinte. Venha de onde vier a solução há que se entender que a solução é política e não econômica. A economia é um instrumento, uma ferramenta, um canivete suíço dos países. Vc lustrar o canivete, comprar mais canivetes, melhorar o canivete não resolve merda nenhuma. Tem que usar o canivete adequadamente e quem usa são os políticos. Se bem ou mal, não é o canivete que vai mandar. O Euro é um engodo.

– Porra, Agripino. Vou trocar todos meus euros.

– Meu amigo, como eu e o Paulinho dizíamos, a solução, se é que existe solução, para ao cagada do euro e da Grécia, é os chucrutes descerem de seus pedestais e começarem a resolver os problemas politicamente e deixarem de ser tão prepotentes. Insistir em austeridade sem investimentos é babaquice. E insistir no euro do jeito que é agora é suicídio. Vai dar merda. A merda foram eles que causaram com a porra do euro. Cabe a eles resolver. O Paulinho ta de acordo comigo

– Eu também. Olha aqui este coluna. O satrapa dos carpatos do Paulo Guedes não entendeu merda nenhuma do que acontece. Ouviu o galo cantar e pensou que tinha soltado um peido. Ele diz que é um falso dilema entre austeridade e crescimento nas eleições da Grécia. Austeridade ou crescimento É o dilema. Ou vc é austero e se fode ou vc cresce e começa a sair da merda. Ser austero quando vc já ta na merda como a Grécia é solução de bosta. É dar aspirina pra quem ta morrendo. Vai passar a dor de cabeça mas vai morrer. Mas logo depois vc entende porque pensa assim. Acha do caralho uma tal de aliança do pacifico. Sei la que merda é essa. Mas se vermos os sócios, México, Colômbia, Peru e Chile por acaso os países comandados pela direita retrograda que não pensa em mudar merda nenhuma antes de arrumar a economia, a deles, claro, pessoal, se entende tudo. As regras do acesso? Ser uma democracia, mas calma la, tem que seguir as regras do mercado, quer dizer, a ditadura dos grandes cartéis. Ta entendido. O pequeno Paulo concorda comigo. São o pensamento desses merdas que afundaram a Grécia. Assume a culpa meu chapa.

 

Uma porrada de sirenes de uns 300 megawatts inundou o boteco e acabou o papo. O portuga que dormitava encima da caixa registradora caiu  no chão com os braços levantados. Esse tem a consciência pesada.

 

Algum dignitário passava.

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