A mediocridade é uma merda

Posted on 17/07/2012

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As pessoas que acham este século triste e medíocre andam lendo jornais e vendo televisão. E acreditam no que leem e veem. Ou então estão separados, tristes, angustiados e sem amigos. Ou não gostam de samba. Como diz o analista, eu não sei se foi o mundo que piorou ou se foi a cobertura jornalística que melhorou.

Se vc compara o Faustão com o Chacrinha, acha o chacrinha um gênio. O que diz pouco do seu senso crítico. Na verdade os dois são uns bostas. Sendo que a chacrinha tinha mulheres mais gostosas.

A historia tem esse problema. Ela julga na maioria das vezes de forma imbecil e cria e inventa genialidades, assim como maldades e mediocridades na mesma proporção. O que não quer dizer que seja verdade.

A melhor maneira de se criticar alguma coisa é o sentido critico na hora. Claro que isso só é possível quando vc é testemunha dos fatos históricos. No resto dos acontecimentos vc apenas recebe uma opinião mais ou menos confiável. Eu sempre achei o Chacrinha apenas um animador de auditório chato e o fato de hoje ele ser considerado um gênio da comunicação e outras bobagens, justifica a tese que a mediocridade hoje esta mais exposta e perdeu a vergonha. Só isso. Mas há avaliações mais sofisticadas. Um exemplo é o livro Ulysses de James Joyce considerado um ícone da cultura e intelectualidade. Eu sempre achei um dos livros mais chatos da história da humanidade e só não é o mais chato porque existem os livros de sociologia do FHC mais complicados e obscuros que manual de ética do Bush.

Hoje em dia temos que ser garimpeiros de estórias e conversar mais com os amigos para se ter ideias. Ou beber mais, sei la. Mas o mundo ta ai. A mediocridade é antiga e existe há gerações. A genialidade também. Se vc procurar bem vai encontrar coisas geniais e personagens sensacionais. Da trabalho porque eles não estão expostos e tem vergonha de aparecer. Mas existem e são muitos.

O grande problema dos tempos atuais é que a mediocridade perdeu a vergonha e se expõe mais. Esta presente em todos os lugares. Hoje a mediocridade é noticia de primeira página. Antigamente ela era mais recatada e tinha vergonha de ser noticia. Existia, mas era tímida. Hoje é falante e famosa. A frase do Andy Warhol que dizia que todos nós teríamos os nossos 15 minutos de fama, na verdade queria  dizer que todos nós teríamos os nossos 15 minutos de mediocridade. E ela seria  divulgada.

Hoje tem que procurar mais e o que era bom continua por ai.

Os meus amigos continuam geniais e sensacionais. As vezes eu não os procuro muito por circunstancias da vida, uma outra palavra para preguiça. Mas eles estão ai. Continuam como sempre foram. Geniais. Os livros que leio continuam geniais e sensacionais. Não são Best Sellers nem nunca foram e da trabalho encontra-los. Mas estão ai. Os filmes idem. Tem que ser um bom garimpeiro e se contentar em não vê-los em 3D. Nada contra os 3D. E esses filmes interessantes são exibidos em salas não muito confortáveis e fora do circuito badalado. Nem vendem pipoca grande e refrigerantes em toneis ou que na verdade é uma benção. Alguns desse cinemas off vendem dulcora velhos, uma espécie de bala de antigamente. Mas ainda ótimos. Tem gente fazendo musica boa. Não tocam nos rádios e nem vendem muito, mas estão ai. Não tem mais o maracanã, é verdade e nem a geral do maracanã. A FIFA acha que futebol é coisa de rico e inventou um novo esporte para a elite. Mas o chope continua bom. Não tão barato como era, mas em compensação, hoje ganhamos mais. Alguns, nem todos.

E quando acordamos dói tudo. Mas isso são circunstancias da nossa fragilidade e do abuso nos velhos bons tempos. O espelho certamente não reflete mais uma imagem agradável, para os nossos padrões, de nossa estampa, mas se pensarmos bem, não olhávamos muito para espelho antigamente. E portanto não serve de comparação. A merda são as fotos. Mas o photoshop esta ai.

Eu só tenho queixas de uma coisa do passado. Saudades na verdade. Tenho saudades das boas peladas com os amigos fraternos. Alguns se casaram, tiveram filhos e ficaram sérios ou se renderam, não sei. E não jogam mais. Outros nunca jogaram e outros se foram, cansados desta vida. Hoje meus joelhos, uma invenção maldosa de Deus, não aguentam mais as correrias dos meus netos. Saudades das peladas regadas a cerveja.

Na verdade, alguns acham o atual século triste porque ele é testemunha da nossa finitude como espécie.

Ou seja, estamos velhos.

Não eu.

Eu sou tão otimista e pouco conformado que tenho uma namorada de quarenta anos. De diferença, claro.

Linda e inteligente. Mas isso é outra estória.

Uma coisa é certa. Não vou nunca dar importância a legião de medíocres que hoje aparecem com pompa e circunstancia.

Talvez seja por isso que eu acho a vida de hoje nada medíocre.

Medíocre é a globo. Mas isso não é novidade. Ela sempre foi.

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Posted in: ASSIM É A VIDA