About Mim

A breve história de mim, ou em portugues castiço, a minha breve história.

Em algum dia de Junho em algum ano da década de 40, mim (ou eu, da na mesma) nasci em uma cidade banhada pelo oceano Pacífico e às vezes inundada pelo mesmo com enormes tsunamis. Um grande terremoto de proporções bíblicas anunciou minha presença mortal neste mundo. Na verdade foi uma merdinha de nada mas nessa tenra idade antes de ter lido os clássicos, era impressionável. Depois li os clássicos e todos ficaram impressionados com meu ar de pateta que por uma questão de lealdade e firmeza de caráter, mantenho até agora. Brasileiro nato segundo a constituição, queria ser diplomata mas me apaixonei por uma mulata bunduda que não curtia muito ser um dia chamada de Embaixatriz. Ela era Rainha da bateria e considerava essa possibilidade futura um retrocesso hierárquico. Por paixão e burrice endêmica desisti. Do Itamaraty, não da mulata.

Ao meu original nome de batismo, Luis Maria, acrescentaram outros 7 pomposos  nomes que falava um pouco da família. Descendente direto do príncipe Alcazar de Almançor, Nobre Árabe muçulmano, acho eu, de espada fulgurante mais negro que a noite que atormentava os habitantes infiéis da península Ibérica nos idos do século 9 da era cristã, se bem que ele não era muito cristão, e de Don José Gaspar Rodriguez de Francia, El Dictador Supremo, um índio aristocrata de pura cepa que quando soprava o vento norte tinha acessos de fúria e exterminava todos ao seu redor la pelas bandas do Paraguai. Ainda hoje, eu tenho as mesmas ânsias quando sopra o vento norte. Mas a ultima coisa que exterminei foi a paciência de um dileto amigo. O nome longo que parece mais a escalação de um time dos pampas da patagônia mesclada com bandeirantes perdidos da Amazônia, também tinha o nome Beleza que nada tinha a ver com o reflexo do espelho. Ou o espelho era ruim. O Beleza é gaucho da fronteira, la pelas bandas de Uruguaiana,  donos de extensa fazenda, a Estancia São Pedro, que fariam a Ponderosa parecer um sitio de fim de semana. O que sobrou disso tudo foi o gosto pelo chimarrão nos dias gelados do inverno dos trópicos. Há que se correr atrás do dinheiro já dizia meu pai, só que ele se esqueceu de mencionar que o dinheiro é uma versão atômica do Usain Bolt.  Guardar nem pensar.

 Pensando na confusão que esse extenso nome poderia gerar e na economia de papel abreviei o meu nome. No começo muitos me chamavam de Maria, mas depois de discussões peripatéticas onde ponderava a brutalidade e boçalidade explicitada em socos e pontapés certeiros, o nome foi esquecido pelos doloridos desafetos momentâneos. Soprava muito vento norte naquela época.

 Muitos me chamam de Luis outros de Alcazar mas esse sobrenome dos tantos que tenho sempre foi primazia do meu pai, quase centenário e com lucidez milenar. Na infância minha mãe me chamava de Pato talvez porque a roupa preferida fosse toda amarela. A preferida dela que criança não tem preferência. Na adolescência, esse breve espaço de tempo onde somos ditadores das nossas vontades lúbricas, me chamavam de Lula e por opção e falta de votos não iniciei nenhuma trajetória política. Indignação tinha de sobra. E depois quando a vida se instalou definitivamente nas entranhas meio gastas do meu ser, algumas mulheres, meu gênero preferido, bem poucas é verdade, mulheres não gênero, mas certamente importantes e queridas na aventura da minha vida, me chamavam de meu amor. De longe meu nome preferido.

Na verdade sou um pateta errante que às vezes acerta.

Anúncios
Be the first to start a conversation

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: